Carlão, que também é
coordenador do Comando Nacional dos Bancários e presidente
da UNI Américas Finanças, chamou atenção
para o problema do emprego, diante da política de
rotatividade dos bancos, a necessidade de debater o sistema
financeiro com a sociedade e o valor da saúde dos
trabalhadores.
O sindicalista ressaltou ainda o papel dos
dirigentes sindicais. "Eles precisam se tornar referência
para os trabalhadores nas principais questões, como
as reformas tributária, política e do sistema
financeiro", apontou. "A Contraf-CUT tem a responsabilidade
de auxiliar nessa tarefa, qualificando-os para intervenções
cada vez mais decisivas no debate social", disse.
Leia os principais trechos da entrevista
concedida aos jornalistas Nicolau Soares e Renata Bessi
na tarde da última quarta-feira (21), na sala da
presidência da Contraf-CUT, no centro de São
Paulo:
Que balanço você faz
da Campanha Nacional dos Bancários de 2011?
Conseguimos avançar e consolidar
conquistas na questão econômica, como o aumento
real de salario, importante para a ampliação
do poder de compra da sociedade, e melhorias na PLR. Mas
avançamos também em outros pontos, especialmente
saúde e segurança bancária, com a não
publicação dos rankings individuais de metas,
a possibilidade de o bancário avaliar o profissional
que aplica o exame médico periódico e os avanços,
mesmo que pequenos, na segurança bancaria.
Foi a consolidação de um modelo
de negociação que conseguiu conquistas econômicas
e sociais da nossa pauta de reivindicações,
bem como vitórias políticas, quando desmontamos
a tese equivocada de que a ameaça de inflação
não permite aumento real de salário.
Quais as principais barreiras derrubadas?
A grande barreira que derrubamos, e que
foi o maior destaque da campanha, foi sair com aumento real
de salário numa situação de inflação
considerada alta. Isso foi fundamental não só
neste momento, mas para campanhas futuras. O argumento central
para essa campanha, falado desde o começo do ano,
era o de que não poderíamos ter aumento real
porque isso alimentaria a inflação.
Se os trabalhadores do setor financeiro
- o mais lucrativo da economia brasileira - não tivessem
conquistado aumento real, isso teria impacto em todas as
outras categorias. Éramos a bola da vez. Houve toda
uma atuação do governo federal, do Banco Central
e dos bancos, através da Fenaban, com pressão
junto à opinião pública nesse sentido,
de que não poderíamos ter aumento real.
Mas não só consolidamos o
aumento real para os bancários, como ficou a
referência para as outras categorias e a sociedade
de que precisamos de aumento real nos salários para
o Brasil crescer com distribuição de
renda. Esse era o grande desafio colocado. Se não
vencêssemos, teria impacto inclusive nas campanhas
futuras.
Qual o papel da mobilização
dos trabalhadores nesse contexto?
Se nós avançamos na parte
econômica, nas questões de saúde, na
conquista de mais contratações na Caixa, na
segurança e na questão política, com
a
consolidação do aumento real, isso tudo só
foi possível por dois fatores: a
unidade nacional, fundamental para consolidar esse modelo
de campanha, e o aumento do grau de mobilização
da categoria. Dessa forma, fizemos a maior greve dos últimos
20 anos, com quase 10 mil agências fechadas em todo
o país. A unidade e mobilização foram
determinantes para isso.
Houve diferença na postura
dos bancos nessa campanha?
Os bancos trabalham muito com a conjuntura.
No ano passado, com a conjuntura eleitoral, tentaram criar
um vínculo entre nossa campanha e a eleição.
Nesse ano, de 2011, eles viram a conjuntura econômica,
com a crise externa e a inflação.
Tentaram se aproveitar desse debate para
nos impor uma derrota. Por muito pouco não levaram
a solução da campanha para o TST (Tribunal
Superior do Trabalho) - o que o Banco da Amazônia
fez, assim como também aconteceu na greve dos Correios.
Os bancos esticaram a corda e tentaram nos derrotar.
O impressionante foi a resposta madura dos
bancários e dos sindicatos, que aumentaram a mobilização.
A categoria teve uma sabedoria muito grande de aumentar
gradativamente a greve e derrotar os bancos.
Houve avanços nas mesas temáticas
esse ano?
Conseguimos retomar mesas permanentes nas
vésperas da campanha, num esforço da Contraf-CUT.
Ficamos um ano sem reunir as mesas de saúde e igualdade,
por exemplo.
O principal avanço que tivemos foi
a retomada. Nas discussões, tivemos avanços
pequenos, mas também desdobramentos durante a campanha,
com nas áreas de saúde e segurança.
E para 2012, quais os desafios das
mesas temáticas?
Nosso desafio para 2012 é começar
o ano implementando tanto as quatro mesas temáticas
com a Fenaban (saúde do trabalhador, igualdade de
oportunidades, terceirização e segurança
bancária) quanto às específicas com
cada banco.
Vamos tratar temas importantes para a categoria.
Não só remuneração, como a discussão
de plano de cargos e salários também nos bancos
privados, mas também de saúde, condições
de trabalho, segurança e previdência complementar.
Qual é o grande problema
da categoria?
O grande problema hoje é o emprego,
e as condições de trabalho. Como enfrentar
a rotatividade, que eu chamo de jabuticaba, porque só
existe no Brasil neste nível. É uma vergonha,
uma violência praticada pelas empresas, e em especial
pelos bancos, para reduzir custos: trocam de trabalhador
para baixar o salario médio. Em outros setores no
Brasil também há rotatividade, mas o salário
não cai como nos bancos.
Os bancos são o setor que tem a maior
diferença salarial entre demitidos e
contratados. No caso do Itaú e Santander, não
é apenas a rotatividade, mas houve também
a redução de postos de trabalho em 2011, mesmo
com grandes lucros. Se o Bradesco contrata por que o Itaú
demite? Por que o Santander, mesmo tendo aqui 25% do seu
lucro mundial, continua demitindo? Isso não faz sentido.
Outro grave problema são as condições
de trabalho nos bancos, sobretudo o assédio moral
e as metas abusivas, que têm trazido estresse, adoecimento
de milhares de trabalhadores e pedidos de demissão.
Como mudar essa situação?
O Brasil é hoje a sexta economia
do mundo, mas é o décimo pior em distribuição
de renda. Temos que fazer uma disputa muito grande na sociedade,
que passa pela reforma tributária, para discutir
o tamanho do Estado; a reforma política, para debater
qual Congresso vai nos representar; e a reforma do sistema
financeiro. Isso nas questões macro.
Nas negociações com os bancos,
não tem como o Itaú, que se diz maior banco
do Hemisfério Sul, pagar piores salários no
Brasil do que em outros países mesmo da América
Latina, ainda mais num momento de crescimento do país,
com a Copa do Mundo, Olimpíadas. É importante
melhorar salários, dar proteção ao
emprego. Nas questões de saúde, é preciso
discutir as metas abusivas, debater o futuro dos bancários,
com a previdência complementar para todos, e principalmente
mais contratações.
O sistema financeiro é o
setor da economia que mais lucra no Brasil. Por quê?
O lucro dos bancos vem de quatro fontes.
Primeiro: 25% vem, em média, da
remuneração de títulos públicos,
pagos com nossos tributos. Tira-se dinheiro de programas
sociais para pagar a dívida pública. Outros
25% vem das tarifas bancárias, que antes cobriam
cerca de 30% da folha de pagamento dos bancos e hoje cobrem,
em média, 170%.
Outra parte vem das seguradoras, que são
dos bancos. E a última parte
vem de onde deveria vir, ou seja, da intermediação
financeira, que é a função do sistema
financeiro. E essa vem do spread bancário, que é
altíssimo. O grande desafio é baixar os juros,
que são muito altos em relação ao resto
do mundo.
A sociedade sabe disso?
É necessário discutir essa
questão, e daí vem a necessidade da Conferência
Nacional sobre o Sistema Financeiro, justamente para discutirmos
que banco temos hoje e que banco queremos. As fusões
entre Itaú e Unibanco, Santander e Real, por exemplo,
tiveram consequências péssimas para a sociedade:
reduziram emprego, fecharam agências, aumentaram tarifas
e juros. Quem teve vantagem foram os bancos, que aumentaram
os lucros.
Qual a principal diferença
entre a bancarização, pregada pelos bancos,
e a inclusão bancária, defendida pelos bancários?
Temos que discutir qual o papel dos bancos.
Está colocada a questão da
bancarização proposta pelos bancos frente
à universalização dos serviços
bancários que defendemos. Se o banco é uma
concessão pública, todo cidadão tem
o direito de ter uma conta. Por que só pode ter a
partir de certa remuneração?
Por que só a partir de certa renda
o cliente pode ser atendido na agência e o resto é
empurrado para as lotéricas? Todo cidadão
tem o direito de ter conta e não pode ser discriminado.
E todo atendimento deve ser feito por bancário -
sem atendimento de segunda ou terceira categoria.
Isso passa pelo debate dos correspondentes
bancários, que são uma terceirização
porca para reduzir custos dos bancos - os trabalhadores
dos correspondentes ganham, em média, um terço
do salário de um bancário.
Tivemos uma intervenção boa
no Congresso Nacional sobre este tema e vamos ter que qualificar
essa intervenção para combater o modelo de
exclusão feito pelo sistema financeiro e pelo governo.
Estamos conversando com a CNBB, a CUT e
outras entidades para fazer essa discussão com toda
a sociedade sobre a necessidade da conferência nacional
do sistema financeiro.
A sociedade tem dificuldade de se
apropriar desse debate sobre o sistema financeiro?
É um debate muito distante de todo
mundo, parece complexo e as pessoas se afastam. Mas na verdade
não é. Tem um serviço que deve ser
prestado pelos bancos. A sociedade desconhece que nossos
impostos estão remunerando os lucros dos bancos.
A Contraf e a CUT precisam se esforçar
para popularizar esse debate. A sociedade está distribuindo
dinheiro para os bancos por meio dos títulos públicos.
O que se gasta anualmente com juros da dívida é
equivalente a 18 vezes o orçamento do Bolsa Família.
Se perguntarmos para a sociedade, o que ela responderia
sobre a "transfusão de sangue" dos recursos
dos trabalhadores para o bolso dos banqueiros?
Na questão do crédito, o que
está colocado hoje é o modelo Casas Bahia.
Você financia e paga a prazo - mas no final está
pagando três geladeiras, três carros. Precisamos
fazer uma cartilha, um gibi, mostrando que os bancos estão
tirando dinheiro da sociedade. Mostrar que o Santander e
o HSBC, por exemplo, cobram juros de 7% ao ano em seus países
de origem e aqui cobram 70%. Não é à
toa que agora o Santander diz que pretende tirar 30% do
lucro do Brasil. Aqui eles podem cobrar esses juros, mas
lá fora não, lá a sociedade está
mais atenta.
Além disso, falta solidariedade entre
as entidades da sociedade civil. Cada um fica preocupado
com sua área, mas o debate do sistema financeiro
vale para toda a sociedade, não é uma questão
corporativa de bancário. Ele afeta o emprego, o desenvolvimento.
Precisamos convencer outros atores da sociedade civil da
importância de uma conferência sobre o tema
e de mudar o papel dos bancos. Não há desenvolvimento
econômico e social sem a atuação dos
bancos públicos e privados, fomentando crédito
justo e direcionado para a geração de melhores
empregos e renda.
Qual a proposta dos bancários
para tornar o sistema financeiro mais justo?
A regulamentação do artigo
192 da Constituição Federal, proposta
que está desenhada há algum tempo e tem inclusive
um projeto no Congresso.
Queremos regulamentar o sistema financeiro com democratização
e controle da sociedade.
Uma das coisas importantes é que
todo mundo tenha direito a ter conta em banco. Que haja
crédito direcionado para o desenvolvimento, para
gerar empregos. Não adianta pegar crédito,
que é dinheiro público, e os bancos emprestarem
para uma empresa desmatar a Amazônia, fazer fusão
de empresas que fechem postos de trabalho, projetos que
não gerem empregos nem renda. Queremos que os recursos
sejam canalizados, carimbados para o desenvolvimento.
Defendemos também a ampliação
do Conselho Monetário Nacional, com a
participação da sociedade civil e dos trabalhadores.
É ali que se define a
politica monetária, a taxa de juros e hoje só
se olha a inflação, não se olha para
a geração de empregos, o aumento do crédito.
Queremos participar e garantir contrapartidas sociais na
definição dessas políticas macroeconômicas.
Queremos que o Congresso crie a Comissão
Parlamentar Mista do Sistema Financeiro. Podemos não
concordar com os parlamentares que lá estão,
mas eles representam a sociedade e é importante que
haja uma comissão para fiscalizar o sistema financeiro.
Queremos definir claramente que o papel dos bancos, e não
só dos bancos públicos, é fornecer
crédito para o desenvolvimento.
Por que o salário dos trabalhadores,
que é depositado nos bancos
privados, tem que ter destino diferente do salário
de um trabalhador de
banco público? Os bancos públicos devem liderar
esse processo de direcionamento do crédito com juros
baixos, pressionando os privados nessa direção.
É um absurdo os bancos federais e privados cobrem
essa taxa altíssima de juros. Queremos bancos servindo
à sociedade e não se servindo dela.
Qual o papel do Banco Central nesse
contexto?
Ele poderia ter outro papel. Ao contrário
do que prega a grande mídia, defendemos que o BC
tem que ser dependente da sociedade e não do mercado.
O que vemos hoje é um BC voltado para o sistema financeiro.
As medidas tomadas são para os bancos - o correspondente
bancário, por exemplo, que foi feito na surdina e
tomando o lugar do Congresso Nacional. O BC hoje é
o sindicato nacional dos bancos no Brasil.
Temos que enfrentar esse debate e acabar
com esse modelo de BC. O papel é fiscalizar e punir
os maus gestores do sistema financeiro, ouvir a sociedade
e fazer uma política de universalização
dos serviços bancários, além de reduzir
o spread e promover o crédito, ou seja, tudo na contramão
do que ele vem fazendo.
Até caíram os juros, mas o
spread bancário se mantém altíssimo.
Por que o BC não enfrenta os bancos? Isso é
um cartel e é papel dele enfrentar. A Selic caiu,
foi aprovada a Lei de Falências, a inadimplência
caiu, todas as condições colocadas para a
queda do spread aconteceram - e o spread não baixou,
assim como as tarifas não caíram. O BC tem
que enfrentar essa situação.
Houve avanços na internacionalização
da luta dos bancários?
Olhando a categoria, tivemos alguns avanços.
Conseguimos um acordo marco global com o Banco do Brasil,
através da UNI Sindicato Global, com apoio da Contraf-CUT.
Ele garante que todos os trabalhadores do BB nas Américas
e nos demais continentes tenham direito a se organizarem
em sindicatos, com negociação coletiva e sindicalização,
ou seja, os princípios estão garantidos. Nos
EUA, por exemplo, hoje bancos não permitem que os
bancários tenham um sindicato. Nesse sentido, o acordo
é importante.
Na questão das redes sindicais internacionais
de cada banco, tivemos avanços importantes. Começamos,
mesmo que timidamente, um processo de negociação
com os bancos, realizando reuniões com Itaú,
HSBC, BB e Santander. Em outros momentos isso não
era possível. Havíamos avançado muito
na organização dos bancários, com as
redes sindicais de cada banco e neste ano, conseguimos que
os bancos tivessem um diálogo com essas redes.
Estamos ampliando a organização
com as jornadas internacionais de luta, com processos de
troca de informações sobre cada país.
Tenho certeza de que em 2012 teremos mais avanços
A crise financeira interferiu nesse
processo?
É um trabalho anterior à crise
internacional. As crises são cíclicas, entram
e saem. A crise na Europa não tem consequência
na América Latina ainda, os bancos estão bem,
com altos lucros. Mas temos também debatido a importância
de sermos solidários com os trabalhadores dos países
da Europa que estão sendo atingidos por esses problemas.
Como tem sido a relação
com o Congresso Nacional?
Foi um campo em que avançamos nesse
ano. Fizemos uma reunião com parlamentares bancários
e apresentamos nossas preocupações para o
momento, como as questões dos correspondentes bancários,
da segurança, da regulamentação do
artigo 192 que trata do sistema financeiro, e da terceirização.
Depois, por conta da conjuntura, o debate ficou focado nos
correspondentes.
Vários parlamentares apoiaram nossas
demandas, em especial os deputados Ricardo Berzoini (PT-SP)
e Cláudio Putty (PT-PA), que se mobilizaram nas discussões
dos correspondentes e da Conferência Nacional sobre
o Sistema Financeiro. Faremos em 2012 outro encontro com
os parlamentares e queremos ampliar, fazer um caderno com
os principais projetos de lei correndo no Congresso que
queremos acompanhar.
Queremos levar em 2012 a proposta da Conferência
Nacional do Sistema Financeiro para a presidenta Dilma Rousseff.
Temos que ampliar nossas relações institucionais
com o parlamento e o Executivo.
Quais as perspectivas da Contraf-CUT
para 2012?
A partir dessa conjuntura, acho que os sindicatos
de bancários têm que ocupar espaço junto
com as centrais e se tornarem de fato referências
dos trabalhadores.
Se não aproveitarmos este momento
de crescimento econômico e da renda do trabalhador,
vamos ficar para trás. Temos que ser a referência
na discussão da reforma tributária, da reforma
política, da reforma do sistema financeiro e na disputa
de renda que teremos daqui pra frente. Temos que disputar
outro patamar de emprego, que passa pelo debate da terceirização
que está ocorrendo no Congresso.
Não basta apenas resistir e lutar
contra, mas buscar outro modelo que dê ao trabalhador
seguranca e estabilidade no emprego. Isso passa por acabar
com a terceirização e com a rotatividade e
colocar medidas de combate às demissões. Será
um ano de muita luta e acho que nossos sindicatos estão
preparados para essa disputa. Temos que ter intervenções
mais qualificadas, talvez.
E o 4º Congresso da Contraf-CUT
que deve ocorrer até meados de abril?
O congresso vai definir a estratégia
para os próximos três anos e quais os temas
mais importantes. O tema da saúde será central
para os trabalhadores e vou defender no congresso da Contraf-CUT
que seja o ano da saúde dos bancários.
Não podemos só olhar a questão
econômica. Precisamos ter avanços nessa questão
da saúde. Será inclusive o tema da Campanha
da Fraternidade da CNBB (Confederação Nacional
dos Bispos do Brasil) e vamos fazer esse debate interno.
Eu pessoalmente acho que devemos aprender
com a Campanha da Fraternidade e escolher um tema para trabalhar
o ano inteiro com os trabalhadores. Fazer estudos sobre
o tema, convidar a academia, realizar debates, produzir
materiais, revistas, livros. Se ficarmos o ano inteiro com
o tema, criaremos uma base muito mais sólida para
transformar a situação que a gente vive.
Acho que temos que nos articular mais com
a sociedade. Não podemos olhar só para o nosso
umbigo. Se estivermos articulados, nossa chance de mudar
é muito maior.
Que ações a Contraf-CUT
deverá realizar no próximo ano?
A Contraf-CUT tem que se aproximar ainda
mais dos sindicatos e dos dirigentes sindicais. Dar condições
para que a nossa intervenção seja mais qualificada.
Para isso, investimos pesado na formação sindical,
na elaboração de documentos, como os Cadernos
Contraf, e vamos ter que aprofundar isso. Não só
continuar, mas fazer mais e melhor. Talvez tenhamos cursos
de especialização em temas importantes.
Acredito que os dirigentes sindicais precisam
se especializar para ter intervenção mais
incisiva na sociedade. Temos um exército de quase
5 mil dirigentes no País e temos que contribuir para
que eles tenham intervenção mais qualificada.
Os empresários se organizam, os bancos também,
e temos que ter organização ainda maior para
atingir os nossos objetivos.
Só vamos ser referência para
os trabalhadores se levarmos esses debates de dentro para
fora dos sindicatos. Os dirigentes têm que estar engajados
nessas grandes reformas necessárias, estar mais qualificados
para ganhar essa disputa sobre que o tipo de país
que precisamos.
Esse processo de formação
já deu resultados nesse período?
É perceptível que alguns companheiros
que participaram desse processo mudaram sua maneira de atuar.
Passaram a procurar outros horizontes, articular com outras
entidades, ocupar espaços dentro das suas entidades
e isso é fundamental.
Para terminar, qual é a mensagem
que você deixa aos bancários e às bancárias
para 2012?
Vivemos um momento de grandes oportunidades
em nosso país. A unidade, a mobilização
e a solidariedade entre os trabalhadores de diversas categorias
serão elementos centrais para vencermos os desafios
em 2012, com mais e melhores empregos e com distribuição
de renda. Desta forma, conseguiremos transformar este momento
que o Brasil vive de crescimento econômico em desenvolvimento
com inclusão social para todos e todas.