Entre os próximos dias 15 e 22 de junho, o Brasil
sediará a Rio+20. A Conferência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Sustentável tem papel
mobilizador e buscará comprometer as nações
com o desenvolvimento sustentável atrelado à
justiça social.
O que
se espera, para além de uma declaração
política, é a consciência de que somente
a cooperação entre os povos e o compromisso
assumido por cada um e por todos os governantes, sobretudo
do Norte, apontará caminhos para redução
das desigualdades e dos impactos sociais e ambientais que
hoje assolam o planeta. Os temas centrais da Conferência
são Economia Verde e Governança.
A secretária
de Meio Ambiente da CUT, Carmen Foro, lembra que a Central
está diretamente envolvida no processo de discussão
e vem atuando em diversos espaços para fortalecer
a posição do movimento sindical.
"Entre
nossas demandas para a Rio+20 estão a ampliação
da proteção social, para levar seguridade
a 5 milhões de pessoas no mundo que não tem
acesso a proteção social adequada; uma taxa
sobre a especulação financeira, um imposto
de 0,05% geraria cerca de 600 milhões de dólares
por ano, quase três vezes a ajuda oficial ao desenvolvimento
de 2008 (ODA) e objetivos nacionais de criação
de empregos verdes e decentes, fazendo com que os investimentos
públicos em setores potencialmente verdes possam
criar uma ponta entre os objetivos sociais, emprego e ambientais",
destaca.
A CUT
integra a Comissão Nacional da Rio+20 e o Comitê
Facilitador Brasileiro da Sociedade Civil e internamente
criou um grupo de trabalho que se reúne para dialogar
as demandas das secretarias que se articulam com a Conferência,
definindo conjuntamente a estratégia da Central.
Também
como forma de unificar a luta do movimento sindical, a CUT
realizou em conjunto com a CSA, a FES e o Idecri, nos dias
10 e 11 de novembro do ano passado, o "Seminário
Internacional Rio+20: Trabalho e Desenvolvimento Sustentável
- A perspectiva do Movimento Sindical das Américas".
O Encontro buscou definir a estratégia da classe
trabalhadora para o mundo do trabalho, fortalecendo, assim
as posições do movimento sindical das Américas
para a Rio+20.
Por
um Código Florestal sem retrocessos
Em 2011,
uma das principais batalhas do movimento sindical, social
e ambiental foi travada no parlamento: impedir retrocessos
na Lei 4771/1965, o Código Florestal.
A Central
definiu sua posição e se articulou junto a
outros movimentos da sociedade civil na defesa de mudanças
no Código Florestal para buscar atualizar a Lei,
que não continha instrumentos adequados para a agricultura
familiar, sem, porém, pactuar com retrocessos.
Em abril,
a CUT organizou o seminário "As mudanças
no Código Florestal e os Desafios para o Desenvolvimento
Sustentável", no Congresso Nacional, e desde
então vem se articulando para impedir retrocessos.
Após
grandes embates na Câmara e mesmo com a resistência
dos movimentos, o novo Código Florestal foi votado
e aprovado em maio de 2011 e em dezembro último no
Senado. Sem levar em conta esses atores.
"Mesmo
alertados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência (SBPC), pelo Ministério Público,
por acadêmicos, ambientalistas e pesquisadores sobre
os riscos que as mudanças podem causar para as populações,
o Código Florestal foi votado no Senado sem ter resolvidos
seus principais problemas. Ele legaliza as atividades agropecuárias
instaladas em áreas ambientalmente importantes, sem
um forte mecanismo que impeça novos desmatamentos,
e anistia quem desmatou", critica Carmen.
O Código
Florestal irá à votação na Câmara
em março deste ano, a três meses, portanto,
da Rio+20. A batalha dos movimentos no primeiro trimestre
deve ser para garantir o veto da Presidenta nos pontos críticos
não solucionados pelo Senado.
O
clima das COP´s
Outro
encontro importante, a 17ª Conferência das Partes
das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
(COP-17), prevista para ocorrer de 28 de novembro a 9 de
dezembro, teve de se estender até o dia 11 de dezembro
para conquistar uma negociação com algum avanço.
O movimento
sindical foi a Durban, pedindo por um pacote equilibrado
em três grandes blocos: um segundo compromisso do
protocolo de Kyoto, um acordo legalmente vinculante, e pelo
Fundo Verde climático democrático, com fundos
para mitigação e adaptação e
com mecanismos de governança. Um acordo vinculante
para ser adotado em 2015 com metas diferenciadas para países
desenvolvidos e em desenvolvimento parece ainda mais impraticável.
"Ainda
não temos o que o mundo vem esperando. O que os países
fecharam em Durban foi um acordo pouco ambicioso em sua
totalidade. Mais do que nunca, trabalhadores e sindicatos
ao redor do mundo devem fortalecer suas ações
no âmbito nacional. Precisaremos tornar nossas vozes
ainda mais altas", ressaltou Carmen.
Desafios
para 2012
Para
a secretária do Meio Ambiente da CUT, a Rio+20 representa
uma oportunidade para o mundo e para o Brasil entrar no
caminho para um novo modelo de desenvolvimento baseado no
crescimento sustentável e construído com justiça
social.
"Uma
forte mobilização dos trabalhadores para a
Rio+20 demonstrará que estamos prontos para o desafio.
A mobilização está sendo articulada
nos diversos espaços internos da CUT e um conjunto
de atividades estão sendo preparadas, dentre elas
a realização do segundo Diálogo com
negociadores na cidade de São Paulo em parceria com
a CSI-CSA-Fundação Sustainlabour."
A CUT
iniciará uma parceria num projeto promovido pela
Sustainlabour de formação para os trabalhadores
e trabalhadoras no tema da biodiversidade, com a participação
dos Secretários e Secretárias de Meio Ambiente
para atualizar o projeto cutista e compartilhar as ações
para a Rio+20.
Também
integrará o Comitê de Produção
e Consumo Sustentável do Ministério do Meio
Ambiente, atuando no Comitê com as demandas sindicais
nesta discussão que é estratégica para
o estabelecimento de uma nova forma de produção
e consumo. Outro espaço que conta com participação
da Central é o Comitê Assessor da Educação
Ambiental, que fará no próximo ano a Jornada
pela Educação Ambiental articulando-se para
a Rio+20.
A Central
integra ainda o Comitê do Fundo do Clima e participa
dos planos setoriais nacionais que deverão ampliar-se
em 2012. "Outros importantes temas, como a Campanha
contra o uso dos agrotóxicos e a soberania alimentar
devem ocupar um lugar de maior centralidade nas nossas demandas
deste ano.
A definição
da CUT para 2012, de que aumentaremos as mobilizações
visando fortalecer a pressão para alcançarmos
o desenvolvimento sustentável com justiça
social, distribuição de renda e valorização
das relações de trabalho vem se somar as outras
inúmeras ações da estratégia
da nossa Central", comenta.
Para
Carmen Foro, a disputa pelo novo modelo de desenvolvimento
para o Brasil neste momento de crise é estratégica
é fundamental. E o tema ambiental ganha centralidade
com os debates gerais do conjunto da pauta de negociação
coletiva do conjunto da classe trabalhadora.
Fonte: CUT Nacional