Neste ano, a CUT vai levar até as bases a sua luta
por liberdade e autonomia sindical. A ideia é discutir
alternativas democráticas de organização
e dialogar com o trabalhador sobre os vícios da atual
estrutura sindical brasileira, que permite a criação
de sindicatos fantasmas.
Além
de ir até os locais de trabalho, vamos fazer campanhas
publicitárias em rádios e TVs e um plebiscito
sobre o fim do imposto sindical. A campanha entra no ar
em março, mês em que todos os trabalhadores
formais do país têm um dia de salário
descontado por conta desse tributo compulsório.
Movimento
sindical forte não significa número de sindicatos.
Significa representatividade e pressão nas negociações.
Para fortalecer a negociação, é fundamental
fortalecer os sindicatos, torná-los atuantes, com
trabalho de base. Ou seja, é preciso acabar com os
sindicatos de gaveta. O fim do imposto é determinante
para isso.
Nesse
sentido, defendemos a substituição do imposto
por uma taxa negocial que deve ser definida nas assembleias
das categorias, após as negociações
salariais e de condições de trabalho.
Para
nós, a liberdade de o trabalhador decidir se e como
quer sustentar financeiramente o seu sindicato fortalece
os sindicatos combativos, representativos e com poder de
negociação.
Mais
do que isso: acaba com os sindicatos de fachada - criados
apenas porque, para alguns sindicalistas, trata-se de um
negócio lucrativo que não demanda esforços.
Desde
2008, quando foi publicada a lei 11.648, que reconheceu
formalmente as centrais sindicais, o ritmo de criação
de sindicatos aumentou ainda mais.
Isso
porque, pela lei, para ser reconhecida e ter direito a 10%
do total arrecadado via imposto sindical, a central tem
de atingir um índice 7% de representatividade. Para
abocanhar parte dos recursos, algumas centrais pulverizaram
ainda mais a base dos trabalhadores, criando centenas de
sindicatos.
Só
em 2011, o Ministério do Trabalho e Emprego recebeu
1.207 pedidos de registros de sindicatos. O total de sindicatos
com registro pulou para 14.204, sendo 9.815 de trabalhadores.
Se o imposto acabar, muitos fecharão as portas, pois
não representam ninguém.
O fato
é que o Brasil está indo na contramão
do sindicalismo internacional. Na Europa e nos Estados Unidos,
sindicatos combativos, como os dos metalúrgicos,
dos siderúrgicos e dos químicos, estão
discutindo a unificação com outras categorias
profissionais para fortalecer o poder de negociação
e de ação sindical.
Para
a CUT, só com liberdade e autonomia sindical é
possível construir entidades realmente representativas
e preparadas para enfrentar os desafios da negociação
coletiva e do contrato coletivo nacional por ramo de atividade.
No entanto,
isso só será possível com a extinção
do imposto, com liberdade e autonomia para que os trabalhadores
decidam quanto querem pagar.
É
necessário também aprovar uma lei que proíba
práticas antissindicais, assim como convencer os
trabalhadores sobre a importância de se sindicalizar
nos locais onde os empresários proíbem ou
dificultam a entrada de sindicalistas, como na construção
civil e no comércio etc.
É
por isso que a CUT luta pela ratificação da
convenção 87 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), que garante a liberdade e a
autonomia sindical.
Isso
significa que o trabalhador pode decidir em que sindicato
quer se organizar e quanto vai contribuir para manter o
seu sindicato. Ele também poderá escolher
qual federação, qual confederação
e qual central quer que o represente nas negociações
nacionais. Essa é uma bandeira histórica da
CUT. Por ela, estamos dispostos a ir para o enfrentamento.
A luta é pela liberdade de expressão e de
associação.
ARTUR
HENRIQUE, 50, é presidente nacional da CUT (Central
Única dos Trabalhadores)
Fonte: Folha de S.Paulo