Na
manhã desta segunda-feira, dia 4, a Central Única
dos Trabalhadores deu início às atividades da
12.ª Plenária Nacional com a realização
da 2.ª Plenária Nacional das Mulheres da CUT.
Na edição
em que comemora 25 anos de existência, a entidade presta
uma homenagem póstuma à Maria Ednalva Bezerra
de Lima, ex-Secretária Nacional Sobre a Mulher Trabalhadora,
que faleceu no dia 03 de setembro do ano passado.
A mesa
de abertura, sob coordenação da secretária
nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane da Silva,
contou com o presidente Nacional da CUT, Artur Henrique, além
de representantes dos movimentos sociais, do governo federal,
de entidades internacionais e de institutos ligados aos trabalhadores.
Artur
Henrique fez um breve balanço sobre a história
das mulheres trabalhadoras e salientou que há muito
a comemorar: "devemos lembrar os debates e as resoluções
sobre a descriminalização do aborto, que encampamos,
reforçando a necessidade de continuar essa discussão.
Também precisamos lembrar da definição
sobre cotas por gênero e o apoio para a aprovação
da Lei Maria da Penha, que combate a violência contra
a mulher", afirmou.
Brasil: cenário atual e desafios - A primeira mesa
da manhã, que tratou da conjuntura atual para as mulheres
trabalhadoras, recebeu Eliana Elias, supervisora do Escritório
do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos), Nalú Faria, representante
da Marcha Mundial das Mulheres e Carmen Foro, vice-presidente
da CUT.
Eliana
destacou que a redução da jornada e a limitação
do número de horas extras seriam capazes de criar mais
de dois milhões de empregos, beneficiando, principalmente,
as mulheres e os jovens, principais afetados pelo desemprego.
"Do total de ocupados em 1992, as trabalhadoras representavam
38,8%, enquanto, em 2006, são 42,6%. Por outro lado,
esse aumento coincide com um processo de flexibilização
das relações trabalhistas, reforçando
ainda mais as dificuldades e desigualdade", analisa.
Prova disso é que as representantes do sexo feminino
recebem 71,2% do valor pago aos do sexo masculino.
Outro
fator que deve entrar nos embates do ambiente sindical é
a questão da dupla jornada. A participação
das trabalhadoras no mercado aumentou, mas o trabalho no ambiente
familiar continua o mesmo. A técnica do Dieese acredita
ser fundamental rediscutir as responsabilidades sobre os afazeres
domésticos.
Ela lembrou
ainda a relevância das ratificações das
convenções 151( trata da organização
sindical e negociação do setor público,
onde as mulheres são maioria) e 158 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), que proíbe a demissão
imotivada. "Em 2001, a taxa de rotatividade era de 38,3%
e de cada 10 mulheres, três mudavam de emprego. No ano
de 2006, o número subiu para 40,5%."
Para
Nalú Faria, o individualismo e a competição
predatória, princípios do neoliberalismo, afetaram
diretamente a vida das mulheres. "A diminuição
do papel do Estado em áreas como educação
aumentou a responsabilidade das mulheres, assim como acontece
na busca incansável da "beleza". Muitas mulheres
acreditam que a vida não é boa porque não
possuem um corpo semelhante a das atrizes de novela. Isso
é um retrocesso em relação à luta
feminista de autonomia sobre o corpo", defende.
A integrante
da Marcha Mundial de Mulheres destaca a necessidade de discutir
a exclusão das trabalhadoras do espaço político
e a importância de valorizar a sustentabilidade humana
como pilar da sociedade.
Carmen
Foro iniciou a apresentação apontando a necessidade
de avançar na questão das cotas. "Há
15 anos aprovamos a lei de cotas, mas não observo isso
com tanto entusiasmo, porque ainda brigamos para que os sindicatos
e as CUTs estaduais cumpram essa definição estatutária."
A
vice-presidente da CUT e Secretaria Sobre a Mulher Trabalhadora
da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Agricultura) ressaltou também a necessidade de investir
em políticas públicas para as trabalhadoras
do campo. "Precisamos avançar na perspectiva do
crédito, atualmente restrito a 50% do valor que recebem
nossos companheiros, e na valorização da agricultura
familiar, que produz 70% dos alimentos consumidos no país."
Para
ela, alguns temas como o aborto e a lei de cotas deveriam
ser tratados como prioridade para o conjunto da CUT. "Determinados
assuntos parecem ser apenas temas das mulheres, quando deveriam
estar inseridos no conjunto da Central. Por que é obrigatório
estar quites com a contribuição para a entidade
para participar das plenárias e o tema de cotas é
flexível? Não dá para defender um modelo
de desenvolvimento lá fora e não cumprir obrigações
dentro de casa", afirmou.
Política
de Gênero - Na parte da tarde, a segunda mesa, que tratou
do principal tema da 2ª Plenária Nacional de Mulheres
da CUT - a política de gênero e a implementação
das cotas como ação afirmativa - foi coordenada
pela secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora,
Rosane Silva e por Elisângela dos Santos Araújo,
da executiva.
Para
enriquecer a discussão as ex-dirigentes cutistas: Mônica
Valente e Sandra Cabral relataram suas experiências
sobre o processo de conquista das cotas no interior da Central.
Além disso, a secretária de Formação
do Sindicato dos Bancários de Pernambuco e membro do
coletivo de Mulheres da CUT Pernambuco, Suzineide Rodrigues
de Medeiros, falou sobre a presença das mulheres nas
instâncias da CUT no último período.
Mônica
Valente alertou sobre a dificuldade de conquistar políticas
que garantam a participação das mulheres. "Acredito
que o grande desafio da CUT é buscar a construção
de um conjunto de políticas onde tenha a questão
do "empoderamento" que garanta a transversalidade
de gênero", salientou.
Em
sua fala, Sandra Cabral, disse estar convencida da importância
crucial de estabelecer políticas como forma de mecanismo
que assegure a participação das mulheres nos
espaços públicos. "Temos que defender nossas
conquistas e lutar para reeleger um governo que priorize,
como vem fazendo o presidente Lula, a igualdade e oportunidade.
Hoje, mas do que nunca, vejo a obrigatoriedade de lutar por
cotas. Só assim, acabaremos com a opressão de
gênero e raça. Temos muito a incluir nessa luta
é o fundamental é termos perseverança.
Uma central sindical e um país que se diz democrático
não pode ignorar a diversidade", finalizou.
Foi um momento muito importante para a organização
das mulheres cutistas, afirma a diretora Rosiane, na qual
esteve presente como delegada representando a CUT-SC, juntamente
com outras companheiras do Estado.
Os temas
tratados na 2ª Plenária, são os temas que
tem norteado os debates do Coletivo Estadual para Mulheres
de SC e serviu para cada vez mais alicerçar e fortalecer
a organização das mulheres .
ROSIANE
BENTO DA SILVA - SECRETARIA DE FORMAÇÃO