Banqueiros negam avanços em segurança bancária e no combate ao assédio moral

As negociações dos dias 08 e 09 entre o Comando Nacional dos Bancários e representantes da Fenaban tiveram avanços tímidos nos temas discutidos: combate ao assédio moral, programa de reabilitação ocupacional e segurança bancária.

Os bancários apresentaram duas propostas: o Programa de Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho e o Programa de Reabilitação Ocupacional. O primeiro, que trata do assédio moral, esbarrou na intransigência dos banqueiros em dar garantias ao funcionário que denuncia o assediador. Os patrões ainda exigem que em qualquer ação sindical que envolva o combate à prática o nome do gestor que assedia seus subordinados não seja divulgado. Segundo Idelmar Casagrande, do Seeb-ES e integrante do Comando Nacional, as ações judiciais não assustam os banqueiros. “Eles não estão preocupados com os processos, mas com a imagem das empresas. O que eles não querem é que o público saiba que este tipo de coisa acontece nos bancos”, avalia o sindicalista.

Ilegalidade

Outra negativa foi para o Programa de Reabilitação Ocupacional para empregados adoecidos, por acidente de trabalho ou doenças comuns. Os bancos propuseram um programa que faria a readaptação do afastado ao trabalho, mas com exigência de retorno antes de terminada a licença do INSS. “Eles querem antecipar a alta do funcionário, que teria que suspender o benefício e retornar ao trabalho para participar do programa deles. Só que, com isso, além de não se tratar adequadamente, o funcionário perderia o prazo de estabilidade, no caso do acidente de trabalho”, avalia Nilton Damião Esperança, que representou a Federação no Comando Nacional. “Este programa contraria a nossa convenção coletiva. Eles querem que assinemos embaixo da ilegalidade”, entende Idelmar Casagrande.

Segurança é tema específico

As discussões sobre segurança bancária também não evoluíram muito. Os bancos entendem que este tema deve ser discutido separadamente, em mesa temática e com um número restrito de participantes. Os banqueiros justificaram a necessidade de constituir uma comissão enxuta alegando que alguns dados que seriam transmitidos nestes encontros são estratégicos e/ou sigilosos.

Foram discutidas apenas questões trabalhistas relativas à segurança. Uma delas foi a emissão do Comunicado de Acidente de Trabalho – CAT. Os bancários exigem que seja emitido para todos os funcionários da agência onde houve assalto, tentativa de assalto e/ou seqüestro. Os patrões afirmam que não há como emitir o documento para todos, nem logo após o ocorrido, e que é possível providenciar o CAT somente quando e para quem for necessário, após os bancários passarem por avaliação profissional.

Um ponto positivo foi a concordância dos patrões em disponibilizar um representante do banco para acompanhar à delegacia bancários que forem vítimas de assalto e/ou seqüestro, para prestar depoimento. Por outro lado, os banqueiros continuaram negando que, ao contrário da prática comum no em todo o país, os bancários transportem valores.

Fonte: Unidade Informativo Feeb/RJ e ES

 

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