Os bancos
brasileiros lideram uma sombria estatística. De todos os
setores, o setor bancário é o que mais causa os
chamados DORTs (Distúrbios Osteomusculares Relacionados
ao Trabalho), que incluem doenças da coluna, tendinite,
bursite e LER (Lesão por Esforço Repetitivo). Os
DORTs são lesões que reduzem a capacidade das pessoas
realizarem movimentos. O grau de limitação varia
segundo o estágio da doença e pode evoluir de parcial
a total, se o trabalhador não for afastado das atividades
que as provocaram.
O Ministério
da Previdência Social informou que, de 2000 a 2005, 25.080
bancários foram afastados do trabalho por causa de dores
relacionadas aos DORT, o que representa 5,2% da categoria. Apesar
da conhecida predisposição causada pelo tipo de
trabalho, os bancos se negam a reconhecer todos os casos como
sendo acidente de trabalho. Dos 25.080 eles reconheceram apenas
8.700.
Para identificar
as causas dos DORTs é necessário considerar vários
fatores do ambiente de trabalho que podem causar o aparecimento
das lesões. Fatores como o estresse, tarefas repetitivas,
excesso de atividades, equipamentos ergonomicamente inadequados,
monotonia das tarefas, são algumas das causas mais freqüentes
destes distúrbios.
Mas por que
os trabalhadores são submetidos a estas condições?
Por que os benefícios do alto desenvolvimento tecnológico
não são repassados aos bancários? Por que
há o aumento da intensidade de trabalho, apesar da maior
sofisticação e eficiência dos equipamentos
utilizados nos bancos?
No sistema atual, o desenvolvimento tecnológico
só gera desemprego e doença
O aumento
da ocorrência de doenças causadas pelo excesso de
trabalho está diretamente relacionado com a diminuição
do número de trabalhadores empregados. Na última
década do século passado, o setor bancário
empregava 800 mil trabalhadores. Ao final da década, este
número estava reduzido pela metade: havia apenas 406 mil
bancários em atividade em dezembro de 1999. A destruição
da categoria dos bancários pode ser observada também
no número de trabalhadores por agência. Em um pouco
mais de 5 anos - de dezembro de 1994 a abril de 2000 - este número
diminuiu de 30,2 para 24,2.
São
vários os fatores que têm contribuído para
a redução do número de bancários.
Em primeiro lugar, a automação permitiu eliminar
a interferência direta do trabalhador numa série
de tarefas que compõem o processo de trabalho bancário.
Houve um imenso investimento em infra-estrutura de telecomunicações
e informática: somente nos anos de 1998 e 1999 foram investidos
cerca de R$ 4,3 bilhões. Segundo dados da Federação
Brasileira das Associações de Bancos (Febraban),
o número de equipamentos de auto-atendimento dentro e fora
das agências passou de 31.400 em dezembro de 1994 para 97.697
cinco anos depois, e, no mesmo período, o número
de usuários de home/office banking passou de 107.600 para
5.920.000 (sendo 620.000 empresas). Alguns dos grandes bancos,
por exemplo, o Banco do Brasil e o Banco Itaú, divulgaram
que mais de 70% de suas transações são realizadas
via auto-atendimento e atendimento remoto.
Outro elemento
importante na redução de empregos são as
novas formas de organização do trabalho. Ao longo
do tempo, foi se aperfeiçoando uma forma de organização
no interior das empresas bancárias que modifica as rotinas
de trabalho e o conteúdo das funções, geralmente
dispensando o trabalho de controle e supervisão exercido
pelas chefias intermediárias e criando grupos de trabalho
que assumem novas tarefas e se responsabilizam por sua execução.
A terceirização
também representa uma nova forma de organização
dos serviços nos bancos. As empresas transferem parte das
tarefas originalmente desenvolvidas por bancários para
outras empresas, o que, além da redução do
emprego nos bancos, geralmente leva à redução
dos salários e ao aumento da jornada de trabalho.
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