Há
também o desrespeito à jornada de trabalho do bancário
- com a realização indiscriminada de horas extras
- diminuindo assim o número efetivo de empregos mantidos
pelos bancos.
Por
meio de todos estes métodos, o setor bancário passou
por momentos caracterizados como “ondas de redução
de postos de trabalho”, nos quais se verificaram uma intensa
e concentrada destruição de empregos. A primeira
onda ocorreu após o Plano Cruzado (março a dezembro
de 1986 -109 mil empregos destruídos); a segunda onda após
o Plano Collor (março de 1990 a fevereiro de 1992 - 128
mil) ; a terceira onda ocorreu com a introdução
do Plano Real, em julho de 1994, até o final de 1996 (quando
houve a redução de 161 mil postos de trabalho).
Mas
cabe perguntar: a causa destas demissões em massa durante
este período teria sido alguma dificuldade financeira enfrentada
pelos bancos?
A situação dos bancos nos últimos
20 anos
A
explosão da dívida externa na década de 70,
contraída pelos governos militares - que passou de US$
3,8 bilhões em 1968 para US$ 12,6 bilhões em 1973
- fez com que os governos civis que assumiram na década
seguinte, governos estes comprometidos com o mesmo projeto dos
militares - isto é, a defesa dos interesses do grande capital
- passaram a emitir títulos públicos a fim de gerar
recursos para saldar a dívida. Os títulos públicos
se tornaram uma fonte inesgotável de lucros para os bancos.
De agente de crédito para o setor privado, o sistema financeiro
se tornou o maior credor do Estado. Passou a se desenvolver então,
no Brasil, mais uma das formas de acumulação originária
do capital: a utilização do Estado como meio de
enriquecimento privado por intermédio da dívida
pública.
Na
década de 90 ocorreria outra mudança significativa.
Com os avanços nas telecomunicações e a elevada
concentração de riqueza, o mercado se tornou ainda
mais especulativo. Em 2001, por exemplo, a circulação
financeira mundial já movimentava US$ 1,8 trilhão
por dia, enquanto a troca de mercadorias e serviços beirava
US$ 25 bilhões - uma diferença de setenta vezes
entre a economia especulativa e a real.
No
Brasil, o triste reinado de Fernando Henrique Cardoso foi o principal
indutor desta orgia financeira. A partir do Plano Real, o Banco
Central foi progressivamente criando um conjunto de normas que
redesenhavam o quadro institucional no qual operavam os bancos.
Após uma sucessão de intervenções
e liquidações que envolveram 22 bancos em menos
de dezoito meses, o Banco Central implantou, em 1995, o Programa
de Estímulo à Reestruturação do Sistema
Financeiro Nacional (Proer). O programa teve um custo de R$ 21
bilhões.
O
governo Lula, por sua vez, não interrompeu a orgia financeira.
Os lucros dos 50 maiores bancos brasileiros saltaram de R$ 12,7
bilhões nos primeiros nove meses do governo Lula, em 2003,
para R$ 23,4 bilhões nos nove primeiros meses de 2006.
Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, afirmou à
Gazeta Mercantil em 06/12/06 que “os bancos ganharam nos
últimos quatro anos mais do que em oito anos do governo
anterior”. E os bancários, como estariam durante
o governo “dos trabalhadores”?
A situação dos bancários durante
o governo Lula
Em
2003, primeiro ano do governo Lula, a já reduzida categoria
dos bancários perdeu mais 10.000 empregos. Em 2006, no
entanto, o crescimento da economia mundial estimulou o setor bancário,
que apresentou uma certa recuperação do nível
de emprego, com a contratação de 24.971 e a demissão
de 16.517 trabalhadores (uma recuperação de 8.454
empregos). No entanto, cabe observar um detalhe importante: enquanto
o salário médio dos trabalhadores admitidos era
de R$ 1.726,00, o salário médio dos demitidos era
de R$ 2.891,00, o que representa uma perda salarial média
de R$ 1.165,00. Assim, por meio da substituição
dos trabalhadores mais experientes e melhor remunerados por outros
menos experientes e, por isso, pior remunerados, o capital, mesmo
em situações de elevado crescimento econômico,
vai aprofundando o processo de concentração de riquezas
em poucas mãos e empobrecendo a maioria da população.
Apesar de muitos ministros do primeiro governo Lula serem ex-bancários
e sindicalistas defensores dos bancários, como Gushiken
e Berzoini, os trabalhadores dos bancos só perderam durante
o governo Lula.
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