1.
TRABALHO E SAÚDE MENTAL
As
repercussões do trabalho na vida mental, apesar de serem
estudadas há muito tempo, começam a receber maior
atenção a partir da introdução de
novas tecnologias nos processos de trabalho. Essas transformações,
além de interferirem sobre a organização
do trabalho, têm reflexos e conseqüências no
cotidiano fora do trabalho dos bancários, no modo de viver,
na família e em todas suas relações humanas.
Atualmente,
muitos estudos têm sido feitos com o intuito de estabelecer
mais claramente a relação entre trabalho bancário
e saúde mental. Nesses estudos, o trabalho tem sido considerado
como mediador das relações sociais e humanas, por
isso como um elemento fundamental para a saúde, tanto para
o seu fortalecimento, quanto para o seu desgaste. Na categoria
de desgaste à saúde mental incluímos tanto
um mal-estar e tensão no trabalho quanto transtornos psicopatológicos.
Isso porque, o conhecimento do primeiro estágio de mal-estar
é fundamental para as práticas preventivas, ou seja,
de identificação das fontes de estresse e tensão
no trabalho, potencialmente prejudiciais à saúde
mental.
2. COMO IDENTIFICAR O DESGASTE À SAÚDE MENTAL
EM DECORRÊNCIA DO TRABALHO?
Entre
os bancários, o estresse e a tensão já se
tornaram elementos do cotidiano do trabalho. No entanto, é
importante entender que esses quadros de estresse e tensão
podem evoluir e até trazer perda ou redução
da capacidade para o trabalho. Entre os principais indicadores
de desgaste à saúde mental temos: nervosismo, estresse,
desgaste mental, ansiedade, tensão, fadiga, cansaço,
desestímulo, desespero e depressão. Por vezes, temos
também perda de apetite, distúrbios de sono, além
da contaminação involuntária do tempo de
lazer, ou seja, os trabalhadores que não conseguem "desligar-se".
Mantenha-se alerta em relação a estes desconfortos,
sejam eles afetivos, tensionais ou físicos, eles são
indicativos de que há algo no seu trabalho e vida que precisa
ser modificado.
3.
COMO O TRABALHO TRAZ CONSEQÜÊNCIAS PARA A SAÚDE
MENTAL?
A
análise das situações de trabalho é
o foco das pesquisas em saúde mental e trabalho. Para tanto,
estudiosos têm agrupado algumas causas que explicam os efeitos
à saúde mental dos bancários.
-
Organização do trabalho e saúde mental
Organização
do trabalho diz respeito ao modo pelo qual o trabalho é
executado: o conteúdo da tarefa, o grau de responsabilidade,
hierarquias, ritmo, pressões, relações interpessoais,
etc. Para Leni Sato, qualquer que seja o modelo de organização
do trabalho implantado, o que interessa à saúde
mental é a possibilidade do trabalhador ter controle sobre
os contextos de trabalho no qual realiza as tarefas. Para se ter
esse controle é necessário familiaridade com a atividade,
conhecimento sobre o trabalho e possibilidades de interferir sobre
o planejamento do trabalho, de modificar os contextos, assim como
de perceber seus limites e possibilidades. Nesse sentido, o trabalho
pode ser favorável à saúde mental. O que
é prejudicial à saúde mental é a falta
de autonomia no trabalho, monotonia, falta de condições
de trabalho, baixa remuneração, falta de respeito
ao trabalhador.
Fatores
de risco na organização do trabalho bancário:
-
Pressão das chefias e clientes.
- Horas extras freqüentes.
- Prolongamento da jornada de trabalho de 6 horas diárias.
- Ausência de pausas de trabalho.
- Tarefas repetitivas.
- Competição entre os colegas.
- Falta de perspectiva de ascensão.
- Falta de reconhecimento no trabalho desenvolvido.
- Número insuficiente de funcionários.
- Medo permanente de demissão.
- Risco de seqüestro e assalto à bancos, entre outros.
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