Estudo
mostra que quatro em cada 100 bancários já pensaram
em suicídio
Brasília - Ao todo, 4,37% dos bancários brasileiros
já pensou ou ainda pensa em suicídio. A conclusão
é da pesquisa "Assédio Moral no Trabalho: Impactos
sobre a Saúde dos Bancários e sua Relação
com Gênero e Raça", coordenada pelo Sindicato
dos Bancários de Pernambuco em 28 diferentes bancos públicos
(48,14%) e privados (51,86%).
Além
de situações extremas, vários sintomas de
distúrbios psicológicos foram observados: falta
de apetite (17,15% dos entrevistados), tremores nas mãos
(21,20%), chora mais que de costume (19,10%), se sente incapaz
de realizar um papel útil na vida (4,37%). “Ficamos
chocados. São relações autoritárias
que provocam adoecimento físico e mental. É uma
realidade cruel”, ressalta a secretária-geral do
sindicato e coordenadora da pesquisa, Suzineide Rodrigues de Medeiros.
A principal conseqüência relatada pelas vítimas
é nervosismo, tensão ou preocupação
(60,72%). Em menor escala, outros sintomas mais graves são
manifestados. A vítima dorme mal (42,14%), se cansa com
facilidade (38,76%), tem se sentido triste ultimamente (37,86%),
tem dores de cabeça constantemente (37,37 %), tem dificuldade
para realizar com satisfação suas atividades (36,55
%), sente-se cansado o tempo todo (36,36 %), sensações
desagradáveis no estômago (33,40 %) e má digestão
(31,87 %).
A
coordenadora explica que os sintomas de depressão muitas
vezes aparecem porque a pessoa “pensa que a culpa é
dela, está com esse peso e não consegue distinguir
o que é erro dela e o que é do gerente”. Por
isso, segundo a coordenadora, quando ocorre uma denúncia,
a vítima é encaminhada a um psicólogo para
que o profissional faça uma análise da situação.
Enquanto 53% das mulheres se dizem estressadas, 46% dos homens
têm a mesma queixa. Segundo o estudo, os homens são
mais agressivos. Eles são acusados em 50,96% dos casos.
As mulheres são responsáveis por 22,79 das agressões.
Ambos os sexos respondem a 26,25% das acusações.
Mas em 17,10% dos casos, a vítima afirma que o agressor
não tem consciência do que faz.
Diferentemente
do esperado, boa parte das agressões morais sofridas pelos
bancários no ambiente de trabalho não são
feitas pelo chefe. O superior hierárquico continua sendo
o maior agressor (63%,71), mas não o único. Os colegas
são apontados por 28,38% dos entrevistados e os subordinados
por 5,46% dos 2.609 profissionais que participaram da pesquisa.
Maioria
das agressões morais dentro dos bancos ainda são silenciadas
Brasília - O medo de um constrangimento ainda maior faz com
que a maioria dos bancários vítimas de agressão
moral no ambiente de trabalho não tomem providências.
Essa é uma das conclusões é da pesquisa Assédio
Moral no Trabalho: Impactos sobre a Saúde dos Bancários
e sua Relação com Gênero e Raça, coordenada
pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco em 28 diferentes
bancos públicos (48,14%) e privados (51,86%).
Respondendo
a questão “Conversou com alguém a respeito
da agressão?”, 59,43% dos bancários dizem
ter conservado apenas com a família, 44,48% com amigos,
32,64% com alguém da empresa, 19,54% com o sindicato e
15,63% não falou com ninguém. “O bancário
ainda tem muito medo de denunciar. Desabafar pra família
é bom, mas não resolve o problema”, diz a
secretária-geral do sindicato e coordenadora da pesquisa,
Suzineide Rodrigues de Medeiros.
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