Quase metade dos bancários sofre agressões morais no trabalho, revela pesquisa

A recomendação da sindicalista é que a vítima procure o sindicato local ou a Delegacia Regional do Trabalho. E, nas empresas públicas, o departamento de recursos humanos da própria empresa. “Tem que reagir e denunciar. Temos recebido muitas denúncias e conseguimos comprovar alguns casos”, diz. A maioria das denúncias é feita de forma anônima, por carta ou e-mail. Mas o sindicato ressalta o crescimento obtido. “Temos recebido três a quatro denúncias por dia de todo o país”, diz.

O problema das denúncias anônimas é que “a gente não pode comprovar porque é preciso um diálogo, indicá-lo a um psicólogo, entender o fenômeno e aí sim dizer se trata-se de um assédio moral”, explica Medeiros.

A legislação brasileira não trata especificamente do problema do assédio moral. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), por exemplo, cita a discriminação no trabalho, mas não caracteriza o assédio moral como uma questão do trabalho. Existe, inclusive, projetos de lei, em tramitação na Câmara dos Deputados, para regulamentar a questão.


Ofensas a homossexuais são feitas principalmente pelos próprios colegas de trabalho


Brasília - "Seu chefe ignora sua presença na frente dos outros” é a situação mais relatada por bancários homossexuais e bissexuais na pesquisa nacional Assédio Moral no Trabalho: Impactos sobre a Saúde dos Bancários e sua Relação com Gênero e Raça, coordenada pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco e feita com 2.609 profissionais de 28 diferentes bancos públicos (48,14%) e privados (51,86%).

Dos que responderam ao questionário, apenas 2,01% se disseram homossexuais e 0,48% bissexuais. “Poucos assumiram a opção, mas vemos que são as mais discriminadas. Não esperávamos que essa situação fosse tão grave”, avalia a secretária-geral do sindicato e coordenadora da pesquisa, Suzineide Rodrigues de Medeiros.

Em geral, os homo ou bissexuais declararam terem passado pelo dobro de situações constrangedoras em relação aos heterossexuais. Entre os homo e bissexuais, 12,90% dizem serem agredidos pelo chefe quando estão a sós com ele. A queixa cai para 3,30% quando relatada por heterossexuais.

Segundo a pesquisa, o preconceito sexual pode ser observado não apenas na relação hierárquica, mas também, mas no conjunto das relações profissionais. Ao todo, 9,68% dos homo e bi declararam serem agredidos pelo “conjunto dos colegas” contra 3,01% dos heterossexuais

Os assédios sexuais, independente da opção, ocorrem principalmente na forma de palavras obscenas ou degradantes (52,63%). Propostas verbais ou ficar próximo são descritos em 36,84% dos casos e a agressão física em 12,63%.O chefe ou superior hierárquico é o principal (45,54%) agressor. Seguido de um colega (14,85%), do conjunto de colegas (13,86%) e do conjunto de subordinados (3,96%)


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