Quando se diz que
o assédio moral é tema novo, quer-se dizer que é
novo quanto aos estudos científicos que sobre ele vem sendo
realizado, uma vez que desde que existe sociedade há, de
certo modo, formas de assédio moral.
O sentido técnico
do termo não difere muito do senso comum. O assédio
moral, em doutrina, também é chamado de manipulação
perversa ou terrorismo psicológico, dentre os termos mais
comumente empregados para sua definição. O termo
em francês: harcèlement moral. Mobbing na Alemanha,
Itália e países escandinavos. Na Inglaterra o termo
preferido é bullying.
O dicionário
nos diz que "assédio" significa, entre outras
coisas, insistência inoportuna junto a alguém, com
perguntas, propostas e pretensões, dentre outros sintomas.
"Assediar", por sua vez, significa perseguir com insistência,
que é o mesmo que molestar, perturbar, aborrecer, incomodar,
importunar.
No mundo do trabalho,
mobbing significa:
Todos aqueles atos
e comportamentos provindos do patrão, gerente, superior
hierárquico ou dos colegas, que traduzem uma atitude de
contínua e ostensiva perseguição que possa
acarretar danos relevantes às condições físicas,
psíquicas e morais da vítima (GUEDES, 2003, p. 33).
Há uma comunicação
conflitual no local de trabalho entre colegas ou entre superior
e subordinado. A pessoa atacada é posta na condição
de debilidade, sendo agredida direta ou indiretamente por uma
ou mais pessoas, de forma sistemática, geralmente por um
período de tempo relativamente longo, tendo por objetivo
sua exclusão do mundo do trabalho, consistindo num processo
que é visto pela vítima como discriminatório.
Conforme ensina
Margarida Maria Silveira Barreto (2000), Médica do Trabalho,
professora e pesquisadora da UNICAMP, assédio moral no
trabalho:
É a exposição
dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes
e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada
de trabalho e no exercício de suas funções,
sendo mais comuns em relações hierárquicas
autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas
negativas, relações desumanas e aéticas de
longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um
ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação
da vítima com o ambiente de trabalho e a organização,
forçando-o a desistir do emprego".
A psiquiatra francesa
Marie-France Hirigoyen (2000), uma das primeiras estudiosas a
se preocupar com o assédio moral no trabalho, da perspectiva
de sua especialidade, entende o mesmo como sendo qualquer conduta
abusiva, configurada através de gestos, palavras, comportamentos
inadequados e atitudes que fogem do que é comumente é
aceito pela sociedade. Essa conduta abusiva, em razão de
sua repetição ou sistematização, atenta
contra a personalidade, dignidade ou integridade psíquica
ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou
degradando o ambiente de trabalho.
O professor sueco
Heinz Leymann, publicou em 1984 ensaio científico sobre
os resultados de uma longa pesquisa realizada na Suécia
pelo National Board of Occupational Safety and Health in Stokolm,
conceituando assédio moral, assim:
A deliberada degradação
das condições de trabalho através do estabelecimento
de comunicações não éticas (abusivas),
que se caracterizam pela repetição, por longo tempo,
de um comportamento hostil de um superior ou colega (s) contra
um indivíduo que apresenta, como reação,
um quadro de miséria física, psicológica
e social duradouro.
Guedes (2003) ensina
que:
O assédio
moral manifesta-se de maneira diferenciada em relação
ao sexo masculino e feminino. Tal fato decorre de componentes
culturais que podem ser explicados sociologicamente. Em relação
às mulheres pode ocorrer em forma de intimidação,
submissão, piadas grosseiras, comentários acerca
de sua aparência física ou do vestuário. Quanto
aos homens, é comum o seu isolamento e comentários
maldosos sobre sua virilidade e capacidade de trabalho e de manter
a família.
Nos casos em que
se caracteriza o assédio moral, identifica-se o propósito
de demonstrar à vítima que se trata efetivamente
de uma perseguição, de terror psicológico,
com o objetivo de destruí-la, sendo que as atitudes do
assediador são sempre temidas, mormente em face das dificuldades
de se obter e de se manter um emprego, em que a globalização
cada vez mais reduz postos de trabalho, aumentando expressivamente
o desemprego, criando toda sorte de incertezas.