Nesta
quinta-feira, dia 1º de outubro, o Comando Nacional dos
Bancários e a Comissão Executiva dos Empregados
da Caixa Econômica Federal (CEE Caixa) retomaram o processo
de negociações específicas com o banco.
A reunião aconteceu às 15h, em São Paulo,
e teve como foco principal questões relativas a saúde
e condições de trabalho.
Os trabalhadores
conquistaram alguns avanços, como a criação
de comitês para a discussão e resolução
de casos de assédio moral. A Caixa, no entanto, não
trouxe proposta relativa às questões financeiras
da pauta e afirmou que precisa aguardar o desfecho das discussões
da mesa geral de negociação entre o Comando
Nacional e a Fenaban para dar prosseguimento ao debate específico.
Assédio
moral
O banco
assumiu a importância do combate ao assédio moral
dentro da empresa e anunciou a criação de comitês
de ética regionais para apurar e resolver questões
relativas ao tema. Os comitês serão criados no
âmbito das Superintendências de Atendimento (SUATEs).
Serão cinco no Brasil, um para cada superintendência.
O formato ainda não está fechado e será
definido em negociações entre Caixa e a representação
dos empregados. No entanto, o banco garantiu que os comitês
terão representantes dos trabalhadores, escolhidos
por meio de eleição.
O banco
atendeu também a uma reivindicação histórica
dos trabalhadores e anunciou que passará a realizar
eleições para a escolha de todos os cipeiros.
Nos locais de trabalho onde a lei obriga a criação
de Cipa (Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes), todos os membros da comissão serão
eleitos pelos trabalhadores, em lugar de apenas a metade como
é feito hoje, nos termos previstos pela lei. O presidente
da Cipa será escolhido pelo banco dentre os cipeiros
eleitos. Nos locais em que o número de funcionários
não alcança o mínimo previsto na legislação
para a criação de uma comissão, o cipeiro,
que hoje é indicado pela empresa, também passará
a ser eleito.
O banco
também anunciou a instalação de exaustores
em todas as bancadas de penhor até o final do ano,
outra reivindicação antiga dos trabalhadores.
A compra dos equipamentos, todos testados e aprovados pelo
Inmetro, já está licitada. Os exaustores visam
absorver os vapores dos produtos químicos utilizados
pelos avaliaodres depenhor, diminuindo os riscos de danos
à saúde destes trabalhadores.
Será
criado também um programa de prevenção
de doenças crônicas (como diabetes, problemas
coronários, hipertensão, entre outras). Será
realizado um projeto piloto no Rio de Janeiro, no âmbito
da GIPES.
Saúde
Caixa
A Caixa
reafirmou a constituição dos comitês de
acompanhamento de credenciamento e descredenciamento da rede
Saúde Caixa. Serão criados um comitê em
cada Gipes, composto por cinco representantes efetivos e cinco
suplentes, indicados pelas entidades sindicais da base de
cada gerência, e dois representantes da própria
Gipes, um deles com cargo de chefia. As entidades sindicais
deverão indicar seus representantes até o dia
30 de outubro. A Caixa informou que já está
passando orientações para as Gipes a respeito
da criação dos comitês.
O banco
aceitou discutir com os trabalhadores o modelo de custeio
do plano de saúde, no âmbito do GT Saúde.
No entanto, os negociadores não aceitaram a demanda
dos trabalhadores de realizar esse debate até o final
do ano, alegando problemas por conta do contingenciamento
dos dados do plano, período de dois anos em que o plano
ficou sem processamento por falta de contratação
de empresa. Nessa mesma discussão, a Caixa se comprometeu
a revigorar o GT Saúde, para que o grupo dando mais
importância às discussões realizadas no
grupo criado no acordo coletivo de 2003.
O banco
anunciou também que fará uma pesquisa nacional
para avaliar o nível de satisfação dos
usuários com o Saúde Caixa.
Para o
coordenador da CEE Caixa Jair Ferreira, a negociação
trouxe avançlos importantes para os trabalhadores.
“O banco trouxe novidades positivas sobre pontos importantes
de nossa pauta de reivindicações. No entanto,
os bancários ainda precisam de propostas concretas
a respeito das questões financeiras da pauta. Até
que isso aconteça, continuaremos em greve para arrancar
novas conquistas”, afirma.
Plínio
Pavão, secretário de Saúde da Contraf-CUT
e membro da CEE Caixa, concorda. “As questões
econômicas são importantes e não vamos
arrefecer o nosso movimento nas ruas. Mas é preciso
ressaltar que conquistamos pontos muito positivos nessa negociação,
o que não aconteceria sem a pressão dos trabalhadores.
Precisamos manter e reforçar a greve até que
o banco atenda nossas reivindicações”,
sustenta.
Fonte:
CONTRAF/CUT