A pressão da greve nacional dos bancários, que
completa 14 duas nesta quarta-feira (7) arrancou uma nova
negociação entre o Comando Nacional dos bancários
e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)
para hoje, às 18h, em São Paulo.
A greve
nacional iniciou no dia 24 de setembro, após a rejeição
da proposta rebaixada de reajuste de 4,5%, o que só
repõe a inflação do período, e
redução da PLR em relação ao ano
passado. Na retomada das negociações, na última
quinta e sexta-feira, dias 1 e 2 de outubro, os negociadores
da Fenaban não apresentaram nova proposta para a categoria.
"Esperamos
uma proposta decente dos bancos que atenda as expectativas
dos bancários em greve nos 26 Estados e no Distrito
Federal. Com lucros de 19,3 bilhões de reais no primeiro
trimestre, os bancos têm condições de
atender as reivindicações da categoria, como
aumento real e PLR maior, valorização dos pisos,
garantia de emprego, mais contratações e melhores
condições de saúde, segurança
e trabalho, entre outros pontos", afirma Carlos Cordeiro,
presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional
dos bancários.
Os
bancários estão em greve para conquistar:
-
Reajuste de 10% do salário. Os bancos ofereceram
4,5%, apenas a reposição da inflação
dos últimos doze meses, enquanto outras categorias
de trabalhadores de setores econômicos menos lucrativos
estão conquistando aumento real de salário.
-
PLR maior. Os bancos querem reduzir PLR para aumentar
lucros. Os bancários querem uma PLR simplificada, equivalente
a três salários mais R$ 3.850 fixos. Os banqueiros
propuseram 1,5 salário limitado a R$ 10.000 e a 4%
do lucro líquido (o que ocorrer primeiro) mais 1,5%
do lucro líquido distribuído linearmente, com
limite de R$ 1.500. Essa fórmula reduz o valor da PLR
paga no ano passado. Em 2008, os bancos distribuíram
de PLR até 15% do lucro líquido, com limite
de R$ 13.862 mais parcela adicional relativa ao aumento da
lucratividade que chegou a R$ 1.980. Neste ano querem limitar
a PLR a 5,5% do lucro líquido e a R$ 11.500.
-
Valorização dos pisos salariais. A
categoria reivindica pisos de R$ 1.432 para portaria, R$ 2.047
(salário mínimo do Dieese) para escriturário,
R$ 2.763,45 para caixa, R$ 3.477,00 para primeiro comissionado
e R$ 4.605,73 para primeiro gerente. Os bancos rejeitam a
valorização dos pisos e propõem 4,5%
de reajuste para todas as faixas salariais.
-
Preservação dos empregos e mais contratações.
Seis dos maiores bancos do país estão passando
por processos de fusão. Os bancários querem
garantias de que não perderão postos de trabalho
e exigem mais contratações para dar conta da
crescente demanda. Os bancos se recusam a discutir o emprego
e aplicar a Convenção 158 da OIT, que inibe
demissões imotivadas.
-
Mais saúde e melhores condições de trabalho.
A enorme pressão por metas e o assédio
moral são os piores problemas que a categoria enfrenta
hoje, provocando sérios impactos na saúde física
e psíquica. A Fenaban não fez proposta para
combater essa situação e melhorar as condições
de saúde e trabalho.
-
Auxílio-creche/babá. A categoria quer
R$ 465 (um salário mínimo) para filhos até
83 meses (idade prevista no acordo em vigor). Os bancos oferecem
R$ 205 e querem reduzir a idade para 71 meses.
-
Auxílio-refeição. Os bancários
reivindicam R$ 19,25 ao dia e as empresas propõem R$
16,63.
-
Cesta-alimentação. Os trabalhadores
querem R$ 465, inclusive para a 13ª cesta-alimentação.
Os bancos oferecem R$ 285,21 tanto para a cesta mensal quanto
para a 13ª.
-
Segurança. Os bancários querem instalações
seguras e medidas como a proibição ao transporte
de numerário, malotes e guarda das chaves. Também
reivindicam adicional de risco de vida de 40% do salário
para quem trabalha em agências e postos. A categoria
defende proteção da vida dos trabalhadores e
clientes.
-
Previdência complementar para todos. Os bancários
reivindicam planos de previdência complementar para
todos os trabalhadores, com patrocínio dos bancos e
participação na gestão dos fundos de
pensão.
Fonte: Contraf-CUT