Apesar dos avanços, proposta da empresa é insuficiente.
Assembleias deverão apreciá-la nesta quarta-feira.
Distribuição de valores fixos seria feita por
grupos de cargos, definidos "de acordo com a complexidade
de atribuições", variando de R$ 4 mil a
R$ 10 mil
Na nova
rodada de negociação entre o Comando Nacional
dos Bancários e a Caixa Econômica Federal, ocorrida
nesta terça-feira, dia 13 de outubro, em Brasília
(DF), a empresa apresentou uma regra própria para a
Participação nos Lucros e Resultados (PLR),
a ser paga alternativamente à regra da Federação
Nacional dos Bancos (Fenaban), além de manter as mesmas
cláusulas propostas na reunião realizada em
8 de outubro, em São Paulo (SP).
A proposta
de PLR da Caixa prevê a distribuição de
valores fixos por grupos de cargos, definidos "de acordo
com a complexidade das atribuições", variando
de R$ 4 mil a R$ 10 mil. Cada bancário receberia essa
regra própria da Caixa ou a da Fenaban, a que for maior.
Além disso, a proposta prevê a antecipação
até o dia 3 de novembro deste ano de 100% do valor,
aplicando a regra básica da Fenaban. A segunda parte
seria paga em março de 2010.
Outras
propostas
A empresa reafirmou também as demais propostas apresentadas
anteriormente, tais como a eleição de todos
os cipeiros, a contratação de três mil
novos empregados, a criação de comitês
de combate ao assédio moral e a abertura de negociação
sobre o Saúde Caixa, entre outros itens.
Na rodada
desta terça-feira, a empresa também propôs
a correção em 6% da indenização
em caso de assalto e sequestro e a conversão da Apip
em espécie.
Dias
parados
A Caixa seguirá a regra negociada com a Fenaban, com
compensação dos dias não trabalhados
por motivo de paralisação entre os dias 17 de
setembro e 14 de outubro, com prestação de jornada
suplementar até o dia 18 de dezembro.
Avaliação
do Comando Nacional dos Bancários
O Comando Nacional dos Bancários avalia que houve avanços
na proposta da PLR, uma vez que a expectativa dos empregados
era de que os valores pagos em 2009 fossem no mínimo
iguais aos da PLR do ano passado, apesar da redução
do lucro líquido da Caixa. Os bancários realizaram
um grande esforço para que a empresa atingisse suas
metas sociais e, além disso, não se pode esquecer
que a redução do lucro da Caixa foi em parte
em função da política de redução
de juros do governo federal, como forma de enfrentamento da
crise financeira mundial. Porém, o Comando Nacional
dos Bancários entende que a distribuição
dos valores deveria contemplar melhor os empregados de menores
salários.
Contudo,
embora apresente avanços em cláusulas sociais
e sindicais, a proposta ainda é insuficiente. Isto
porque itens fundamentais, como isonomia e uma valorização
salarial que poderia ser feita por meio de concessão
de delta no âmbito do Plano de Cargos e Salários
(PCS) não foram contemplados. Além disso, a
contratação de três mil novos empregados
é positiva, mas não resolverá o problema
crônico de excesso de trabalho a que está submetido
o conjunto dos empregados.
Portanto,
o Comando Nacional dos Bancários orienta os empregados
da Caixa a manterem o movimento de greve, na expectativa de
que a direção da empresa avance ainda mais em
sua proposta de acordo coletivo para as demandas específicas
da campanha salarial deste ano.
Diante
disso, os bancários continuam em greve porque não
há a concessão de delta no âmbito do PCS
e por falta de isonomia e de condições dignas
de trabalho, entre outros itens.
A avaliação
é de os empregados da Caixa precisam ser valorizados
adequadamente. Isso pressupõe um número maior
de novas contratações do que os três mil
inicialmente propostos, de modo a acabar de uma vez por todas
com a extrapolação da jornada e com o acúmulo
de funções e responsabilidades, principais causadores
de pressões de todos os lados em cima dos trabalhadores.
Igualmente relevante é o atendimento de reivindicações
como jornada de seis horas para todos, mudanças no
Plano de Cargos Comissionados (PCC), tíquete e cesta-alimentação
para todos os aposentados e pensionistas, equacionamento dos
problemas do plano de benefícios REG/Replan não-saldado
e democratização da gestão.
Plantão
em Brasília
Após a rodada de negociação com os representantes
da empresa, o Comando Nacional dos Bancários e a Comissão
Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) estiveram reunidos no
escritório da Contraf/CUT, em Brasília.
A representação
nacional dos empregados realizará permanentemente plantões
em Brasília a partir desta quarta-feira, dia 14 de
outubro, na expectativa de que sejam agendadas novas rodadas
de negociações com a empresa. O Comando Nacional
dos Bancários e a CEE/Caixa acreditam que a solução
para eventuais impasses deve ser buscada de forma negociada.
Essa, aliás, é a única maneira para levar
em conta as necessidades apontadas pelos empregados e suas
entidades sindicais e associativas.
Fonte:
Fenae