A caixa frustrou as expectativas dos empregados e não
trouxe a proposta completa para o novo Plano de Cargos
Comissionados (PCC) para a negociação com
a Contraf-CUT e demais entidades sindicais realizada nesta
quarta-feira, 25, em Brasília. Além disso,
apresentou alguns novos itens da proposta que vão
contra as reivindicações dos trabalhadores
e representariam retrocessos.
Os
negociadores do banco informaram que não conseguiram
encaminhar a proposta pra avaliação do Conselho
Diretor da empresa na última reunião deste
órgão, realizada nesta terça-feira.
Assim, o banco repassou os pontos já apresentados
aos bancários durante a campanha salarial da categoria,
com algumas novidades.
O
primeiro retrocesso trazido pelo banco diz respeito à
questão da jornada. A empresa afirmou que pretende
resolver essa questão antes da implantação
do novo plano, chamado por ela de Plano de Funções
Gratificadas (PFG). A proposta do banco é a definição
de jornada de oito horas para algumas funções
e de jornada de seis horas para outras, sendo que estas
últimas teriam salário proporcional, acarretando
em redução dos rendimentos dos trabalhadores.
Além
disso, o banco afirmou que considera que algumas funções
sem controle de ponto, como a de Gerente Geral, seriam
"Sem jornada definida", ou seja, sem direito
a hora-extra. Por fim, o banco afirmou que pretende manter
a discriminação contra os empregados que
não saldaram o Reg/Replan, impedindo sua migração
para o novo plano. Para isso, o banco pretende viabilizar
junto à Funcef a reabertura do saldamento do plano.
"Deixamos
claro para o banco que não podemos aceitar redução
salarial, eliminação de horas-extras nem
a discriminação contra os empregados com
Reg/Replan não saldado. Se o banco mantiver estes
pontos, orientaremos para a rejeição da
proposta nas assembleias", afirma Plínio Pavão,
diretor da Contraf-CUT e empregado da Caixa. Os trabalhadores
reivindicam jornada de seis horas para todos os bancários
sem redução salarial.
Uma
nova reunião ficou marcada para dia 2 de dezembro,
quarta-feira, em Brasília. Até lá,
o banco afirma que já terá possibilidade
de apresentar a totalidade da proposta.
Exaustores
nas bancadas de penhor
Os
bancários questionaram a Caixa sobre os exaustores
que estão sendo instalados nas bancadas de penhor,
conforme negociado na Campanha 2009. No Ceará,
empregados reclamaram que o aparelho adquirido pelo banco
não atende às especificações
necessárias. O Sindicato do Ceará contratou
um perito que confirmou a inadequação dos
aparelhos e alertou para a possibilidade deles espalhar
os vapores das bancadas para outros ambientes. A Caixa
ficou de avaliar a situação.
Condições
de trabalho
Os
trabalhadores levaram para a mesa de negociação
denúncia de várias unidades de todo o Brasil
sobre a demora da Caixa para fazer manutenção
de aparelhos de ar condicionado. A falta do equipamento
causa grandes transtornos para empregados e clientes,
especialmente no verão e em algumas localidades.
Segundo relatos, a demora no conserto chega a até
40 dias. Os negociadores do banco se comprometeram a checar
a situação e trazer uma resposta na próxima
reunião.
Contratações
A
Contraf-CUT questionou a Caixa sobre o processo para a
efetivação das 5 mil contratações
conquistadas pelos empregados durante a Campanha 2009.
O banco informou que já está contratando,
num processo de substituição de estagiários,
mas que o cronograma de contratação e para
a distribuição dos novos empregados depende
do planejamento da empresa para 2010, que será
concluído em dezembro. Assim, em janeiro o banco
realizará um plano de contratação
com base nas informações prestadas pelas
unidades. O banco chamou a atenção ainda
para a ampliação da rede, que vai demandar
novos bancários.
Os
bancários questionaram também o prazo para
essas contrações, uma vez que a maioria
dos concursos em nível nacional vence no dia 30
de junho de 2010. Além disso, como se trata de
ano eleitoral, as empresas públicas têm um
impedimento legal para novas contratações
até dia 30 de junho. A Caixa informou que pretende
publicar edital para concurso em janeiro de 2010 e realizar
as provas em março de 2010, de forma a possibilitar
a homologação do concurso antes do prazo
limite estabelecido pela lei eleitoral. Uma vez homologado
o concurso, as contratações poderão
ocorrer no resto do ano normalmente.
Saúde
Caixa
A
Contraf-CUT informou ao banco que já está
finalizando junto às entidades sindicais a indicação
dos representantes que comporão os comitês
de acompanhamento de rede do Saúde Caixa. Serão
15 comitês em todo o país (um para cada Gipes),
com cinco membros titulares e cinco suplentes. "Acreditamos
que eles contribuirão para melhoria na rede de
credenciados", afirma Plínio. Os nomes indicados
pelos trabalhadores serão passados para a Caixa
até o fim dessa semana.
Cobrada
pelos bancários, a Caixa informou que realizará
uma áudio-conferência com todas as Gipes
orientando sobre o funcionamento dos comitês e sobre
o processo de implementação. Os comitês
terão a participação de dois empregados
de cada Gipes, sendo pelo menos um gestor. O banco informou
ainda que vai expedir uma comunicação eletrônica
detalhando o processo e realizar, no dia 17 de dezembro,
uma reunião nacional com as Gipes na qual incluirá
o tema.
Os
representantes dos bancários manifestaram também
ao banco sua preocupação quanto à
reunião do Conselho de Usuários do Saúde
Caixa, a ser realizada em dezembro para avaliar o balanço
do ano, avaliar a projeção atuarial para
o próximo exercício e definir os valores
de custeio. "A Caixa teve problemas de falta de processamento
nos últimos anos, o que fez com que debatêssemos
em cima de números pouco confiáveis por
três exercícios. Nos dois últimos
dois anos, o Saúde Caixa apresentou expressivo
superávit", afirma Jair Ferreira, coordenador
da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa).
"Acertamos
na mesa de negociação da Campanha Nacional
2009 que o banco apresentará os números
ao GT-Saúde para se fazer uma reavaliação
dos exercícios passados, para se necessário
estabelecermos em processo negociado alterações
no modelo de custeio e verificar a real situação
financeira do plano, que ao que tudo indica é altamente
superavitária, com o que a Caixa concordou, embora
tenha afirmado que tal processo só poderá
ser feito no ano que vem", conclui. Dessa forma,
os trabalhadores reivindicaram que não seja feito
nenhum reajuste no custeio do plano antes de feito o levantamento.
Eleição
para as Cipas
Os
trabalhadores apresentaram ao banco proposta para a realização
das eleições de todos os membros das Cipas,
direito conquistado na última campanha salarial.
Segundo a proposta, nas unidades que têm comissão
constituída, as eleições seriam realizadas
apenas após o fim dos mandatos em curso. A Caixa
deve informar as entidades sindicais com 45 dias de antecedência
do vencimento dos mandatos em cada unidade, como já
previsto no Acordo Coletivo, para que seja iniciado o
processo de eleição, já no novo modelo.
Nas unidades que não têm comissão,
apenas um representante indicado pela empresa, os empregados
propõem calendário nacional para o processo
de eleição, a ser realizado em fevereiro.
A proposta foi aceita, ficando acertado que na próxima
reunião os representantes dos empregados trarão
uma sugestão de calendário.
Boatos
O
banco também foi questionado a respeito de alguns
boatos que surgiram entre os empregados. Um deles diz
respeito à criação pela empresa de
um programa de incentivo à aposentadoria. Questionados,
os negociadores do banco negaram a existência de
planos nesse sentido.
Reestruturação
das filiais
Outro
ponto que preocupa os empregados é a reestruturação
das filiais, chamado pela Caixa de "novo modelo de
filiais". Os negociadores da empresa afirmam não
ter informações sobre o processo, pois estas
ainda estão restritas à área responsável.
Os dirigentes sindicais manifestaram suas preocupações
com relação ao destino dos funcionários
envolvidos no processo e com a adequação
da própria estrutura proposta. "Uma questão
é o que vai acontecer com as Gipes, uma vez que
há rumores de que elas seriam diminuídas
das atuais 15 para cinco em todo o país. E para
a área de saúde do trabalho e para o Saúde
Caixa, o movimento sindical considera que mesmo as 15
são pouco: queremos pelo menos uma por estado",
afirma Jair. Os negociadores da Caixa registraram a preocupação
e comprometeram-se a repassar as informações
assim que tenham acesso a elas.
Desconto
dos dias de greve de 2007 e 2008
A
Contraf-CUT voltou a cobrar do banco a revisão
do desconto dos dias parados em algumas bases na greve
de 2007 (especificamente Belo Horizonte, Bahia e Sergipe).
Os bancários propõem que seja devolvido
o dinheiro descontado e que se faça um processo
de compensação desse dia. O banco ficou
de avaliar a proposta e retomar o tema na próxima
reunião.
Também
foi abordado o desconto relativo à greve de 2008
(vários locais do país). "Nosso entendimento
é o de que o banco descumpriu o acordo coletivo
na ano passado, que dizia que não poderia haver
desconto das horas após expirado o prazo para compensação.
Já conseguimos decisões favoráveis
na Justiça e vamos continuar lutando", afirma
Jair. Porém em algumas bases, como Brasília,
a decisão em segunda instância foi contrária
aos bancários, o que fez com que a Caixa iniciasse
o processo de desconto parcelado. Foi proposto que a Caixa
devolva os valores e estabeleça um novo prazo para
compensação. O tema também retorna
na próxima reunião.
Processo
de avaliação por mérito 2009 do PCS
A
comissão paritária de acompanhamento do
PCS estabeleceu a criação de um cronograma
de reuniões para debater os critérios a
serem aplicados na avaliação por mérito
para o exercício 2009. Para isso, é necessário
que a Caixa forneça algumas informações
sobre o processo de 2008 (valor global das promoções,
quantidade de empregados que obtiveram promoção
por antiguidade no período, entre outros). O banco
se comprometeu a fornecer esses números. Após
isso será estabelecido um calendário de
reuniões.
Fonte:
Contraf-CUT