Valor Econômico
Alex Ribeiro, de Brasília
Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, os três
maiores bancos privados do país, pagaram R$ 890
milhões aos seus administradores nos nove primeiros
meses desse ano, mostra um levantamento feito pelo Valor
com base nas demonstrações financeiras divulgadas
por essas instituições.
A
cifra inclui salários, contribuições
a planos de previdência e, dependendo do caso, participação
nos lucros e outorga de ações. A remuneração
aos executivos corresponde a 5,36% do lucro registrado
por essas instituições no período,
que somou R$ 16,602 bilhões.
A
partir do balanço anual deste ano, as instituições
financeiras estarão obrigadas a divulgar os salários
e demais benefícios pagos aos executivos, em virtude
de uma resolução do Conselho Monetário
Nacional (CMN) que exige maior transparência nesses
dados.
A
divulgação das políticas de remuneração
dos executivos tem dois objetivos. Uma é permitir
que os acionistas das empresas, sobretudo os minoritários,
saibam como elas estão alocando seus recursos.
Outro
objetivo é evitar que os bancos criem, por meio
de remuneração, incentivos de curto prazo
para obter resultados, colocando em risco a sustentabilidade
do negócio no médio e longo prazo. Na crise
financeira internacional, algumas políticas de
pagamento foram colocadas em xeque porque teriam contribuído
para os bancos assumirem posições arriscadas
que levaram a grandes prejuízos.
Entre
os grande bancos, o Itaú Unibanco é o que
mais gasta com o pagamento aos seus administradores, com
R$ 504 milhões nos nove primeiros meses do ano.
Os valores incluem pagamento aos membros da diretoria
executiva e também aos conselheiros.
Houve
uma ligeira queda em relação aos R$ 516
milhões pagos em igual período de 2008.
O Itaú isoladamente, sem o Unibanco, pagou R$ 350
milhões. A remuneração aos dirigentes
representa 7,35% dos lucros registrados pelo banco nos
primeiros nove meses deste ano.
O
Itaú Unibanco tem um plano de outorga de opções
para os seus executivos. "É importante lembrar
que nosso sistema de remuneração é
baseado na meritocracia e está alinhado à
performance da organização", afirma
o Itaú Unibanco, por meio de sua assessoria de
imprensa. "Somos uma empresa focada na liderança
em performance, na qualidade das decisões e suas
respectivas execuções."
O
Bradesco gastou R$ 267,4 milhões com a remuneração
de seus administradores, incluindo proventos, gratificações,
contribuições ao INSS e aportes em planos
de previdência complementar nos nove primeiros meses
do ano, o que equivale a 4,6% do lucro da instituição
no período.
O
Bradesco não concede opções de ações
aos executivos. Os proventos pagos aos administradores
subiram de R$ 68 milhões para R$ 108 milhões.
Os aportes em previdência complentar subiram de
R$ 86 milhões para R$ 109 milhões. Enquanto
isso, as gratificações tiveram forte redução,
de R$ 90 milhões para R$ 21 milhões.
O
Valor perguntou ao Bradesco, por meio de sua assessoria
de imprensa, se o banco estaria reajustando os proventos
e contribuições aos planos de previdência
como forma de compensar a perda de gratificações.
Geralmente, as gratificações estão
vinculadas ao desempenho da empresa.
"A
política de remuneração dos executivos
faz parte de um processo de gestão visando a maior
eficiência dentro dos critérios de governança
corporativa", respondeu o Bradesco. "Cabe acrescentar
que os resultados apresentados pelo banco são consistentes,
sem reflexo negativo na remuneração dos
dirigentes."
A
remuneração paga pelo Santander subiu de
R$ 52 milhões para R$ 128 milhões entre
os nove primeiros meses de 2008 e de 2009. A assessoria
de imprensa do banco explica que a comparação
gera distorção, em virtude da aquisição
das operações do ABN Amro no Brasil. Os
dados de 2008, incluem as remunerações pagas
aos dirigentes do Santander durante nove meses, mas apenas
um mês de remuneração do ABN.
Quando
se soma a remuneração dos três maiores
privados à dos bancos públicos, chega-se
a quase R$ 1 bilhão de gastos com as cúpulas
dessas instituições de janeiro a setembro.
A remuneração dos bancos públicos,
entretanto, é muitas vezes inferior à dos
privados.
O
Banco do Brasil aumentou em 11% a remuneração
do presidente, vice-presidentes e diretores, na comparação
entre setembro de 2008 e de 2009. Hoje, o presidente do
BB, Aldemir Bendine, ganha R$ 41.592 por mês, enquanto
os vice-presidentes recebem salário de R$ 37.566.
Apenas
no terceiro trimestre, único dado consolidado disponível,
o BB pagou R$ 13,6 milhões aos membros da administração
(conselho e executivos).
O
BB explicou que houve mudança na data de reajuste
dos vencimentos dos dirigentes, que passou de setembro
para março. Assim, na prática, os vencimentos
ficaram congelados por 18 meses.
Tradicionalmente,
o BB sempre divulgou a remuneração de seus
dirigentes. Entre os cinco maiores bancos do país,
é o que fornece a informação mais
detalhada. A prática entre os bancos privados é
fornecer o gasto de forma agregada. A Caixa Econômico
Federal divulga o maior salário dos administradores,
o menor salário e o salário médio.
O
maior salário é de R$ 32.760. A Caixa informa
que essa é a remuneração mensal recebida
pela presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho.
Em relação a setembro de 2008, houve aumento
de 8,43%.
A
Caixa explica que a remuneração ficou congelada
por 18 meses. No terceiro trimestre, a Caixa gastou com
remuneração e outros benefícios do
pessoal-chave R$ 7 milhões, segundo seu balanço.
Fonte: Valor Econômico