A máxima de que o ano no Brasil começa somente
após o Carnaval, certamente não vale para
2010, de eleições e Copa do Mundo. Exemplo
disso é a continuidade da mobilização
da Central Única dos Trabalhadores e das demais
centrais pela aprovação dos eixos que marcaram
a 6.ª Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília,
no final de 2009.
Nesta quinta-feira (21), às 9h, as entidades se
reúnem na sede da CUT para discutir as estratégias
de mobilização que irão adotar neste
ano.
"Iremos formalizar um calendário com greves
e paralisações para pressionar os parlamentares
e as empresas a adotar a redução da jornada
sem redução de salário", comentou
Artur Henrique, presidente da CUT.
Caso seja aprovada, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional)
231/95 reduzirá a jornada de 44 para 40 horas semanais
e elevará em 75% o valor da hora extra. Segundo
levantamento do Dieese, a medida seria capaz de criar
cerca de dois milhões de novos postos de trabalho
no Brasil.
Além desse ponto, as centrais irão manter
a defesa dos seguintes temas:
. aprovação do PL 01/07, que efetiva a política
de valorização do salário mínimo;
. novo marco regulatório para o pré-sal,
que garanta soberania nacional sobre a exploração
e o uso dos recursos;
. atualização dos índices de produtividade
da terra e aprovação da PEC 438/01 contra
o trabalho escravo;
. ratificação das Convenções
151 e 158 da OIT;
. aprovação do PL sobre a regulamentação
da terceirização e combate à precarização
nas relações de trabalho e redução
da jornada sem redução do salário.
Já no segundo semestre, a tarefa essencial da Central
será discutir a atuação na disputa
eleitoral. No dia 1.º de maio, a entidade lançará
a Plataforma da Classe Trabalhadora para as Eleições
de 2010. O objetivo é comprometer os sindicatos
com as proposições apresentadas pelos trabalhadores
para a construção de um modelo de desenvolvimento
sustentável, soberano e democrático.
"Ao lado dos movimentos sociais, iremos promover
ações em todo o Brasil para discutir o modelo
de País que queremos e a importância de avançar
no projeto democrático e popular", comentou
Artur.
O
elemento fundamental do documento elaborado a partir de
debates regionais por todo o País e em três
encontros nacionais que discutiram temas como participação
popular, controle social, economia popular, solidária
e proteção social, será a radicalização
da democracia.
"Não
podemos deixar que a participação social
seja meramente representativa, por meio do processo eleitoral.
Queremos instituir mecanismos como a regulamentação
do artigo 14 da Constituição para definição
de instrumentos tais quais plebiscitos e referendos, a
construção democrática do orçamento
público e o controle social sobre os meios de comunicação",
apontou.
Para
Artur Henrique, é preciso transformar os programas
sociais em leis, além de fortalecer e ampliar os
conselhos deliberativos tripartites de políticas
públicas. "Ainda está pendente a criação
do Conselho Nacional de Seguridade Social para articular
políticas de trabalho, saúde e previdência,
e do Conselho Nacional de Relações de Trabalho,
fundamentais para expandir a transparência e fazer
com que a democracia não seja parte de uma política
de governo, mas sim de Estado", complementou.
Taxa negocial - Outra luta fundamental da CUT será
a pressão para que o Congresso institua a negociação
coletiva em substituição ao imposto sindical.
"Os sindicatos que atuam nas bases não terão
problema nenhum para constituir um processo de negociação
com trabalhadores para manter os sindicatos. Agora, um
sindicato sem capacidade de mobilização
terá grande dificuldade", disse o dirigente
cutista.
Artur
criticou ainda a decisão unilateral do Ministério
do Trabalho de revogar trecho de portaria editada em 2008
que definia critério para reconhecimento das centrais.
A partir deste ano, para uma entidade ser reconhecida
como tal, deveria comprovar a filiação de
sindicatos representando, no mínimo, 7% dos trabalhadores
sindicalizados no País. A regra passa a valer somente
em janeiro de 2011.
"Para
participar de fóruns de negociação,
a central precisa ser representativa, caso contrário,
ao invés de defender a classe trabalhadora, estará
a favor do interesse de minorias. E o Ministério
do Trabalho", criticou.
Fonte:
CUT