CAIXA PRETENDE REDUZIR A JORNADA E O SALÁRIO DE FORMA UNILATERAL

A direção da Caixa voltou a frustrar as expectativas dos empregados durante a reunião realizada nesta sexta-feira (22) por meio dos seus representantes nas negociações permanentes.

O principal ponto de discussão da reunião foi o ajuste de jornada de trabalho proposto pela empresa. A Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) reafirmou sua posição contrária a qualquer medida que reduza os salários dos empregados, mas os negociadores do banco informaram que, antes de implementar o novo Plano de Funções Gratificadas (PFG), a Caixa reduzirá a jornada de trabalho de cargos com função técnica de 8 horas para 6 horas diárias com redução proporcional dos salários, independentemente de acordo com os trabalhadores.

O anúncio da decisão unilateral gerou protesto. Os representantes dos trabalhadores reafirmaram a posição do Movimento pela jornada de 6 horas para todos sem redução de salário.

Os trabalhadores que sofrerem redução de jornada receberão uma indenização, conforme proposta da empresa. O valor a ser recebido, ficará em torno de 40% daquilo que foi recebido nos últimos cinco anos referentes às duas horas, a depender das ações judiciais que o trabalhador possa ter contra a empresa referente ao tema. Segundo a Caixa, a decisão tem amparo em decisão judicial do Tribunal Superior do Trabalho de setembro do ano passado.

Excesso de jornada dos caixas executivos

A representação nacional dos empregados cobrou da Caixa urgência na solução dos problemas que estão ocorrendo, e medidas imediatas para coibir as situações caóticas causadas pela falta de pessoal, como o excesso de jornada dos caixas executivos, as falhas no atendimento, as doenças ocupacionais e a falta de segurança.

Há, inclusive, agências com empregados sem curso de caixa. Cobrada a esse respeito, a empresa informou que os cursos de capacitação são organizados pelas Superintendências Regionais (SRs).

Foram denunciados ainda os casos de caixas executivos que fazem até 900 autenticações, o que vem causando problemas de saúde. A Caixa ficou de levantar os dados das diversas situações, de modo a que sejam buscadas soluções para o problema do excesso de jornada. Em algumas localidades, muitos trabalhadores são obrigados pelos gestores a fazer horas extras descabidas no período de um dia, por exemplo.

O abuso na gestão é também frequente em diversas unidades pelo país, causando em consequência pressão desmedida no dia a dia dos trabalhadores. Há casos de empregados que são pressionados a participar de reuniões fora do horário de trabalho, sem contabilização de horas extras. Essa política desmotiva totalmente os bancários e provoca efeito cascata nas agências: a SR cobra dos gestores, que cobram dos empregados, que se desesperam com tanta pressão descabida por metas.

Concursos

A Caixa reafirmou que realizará concursos públicos em 2010. Em abril ocorrerão as provas para preenchimento de vagas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e em maio as provas para os outros estados e para Santa Catarina.

Os concursos terão de ser homologados até o inicio de julho por causa do calendário eleitoral, mas a empresa continuará convocando os já aprovados em concursos anteriores. Até o final de fevereiro, 1 mil aprovados deverão ser chamados em todo o país.

Plano de Apoio a Aposentadoria

A Caixa anunciou que vai criar um Plano de Apoio a Aposentadoria (PAA) nos moldes dos implementados em 2007 e 2008. O prazo para adesão ao plano será entre os dias 1º de fevereiro e 1º de março e o prazo para desligamento será de 2 de março a 30 de abril.

O plano, que terá um público alvo de mais de 9 mil empregados, indenizará quem aderir a ele com cinco remunerações básicas e o Saúde Caixa.

Saúde Caixa

Falando em Saúde Caixa, os representantes da direção do banco anunciaram que, diferentemente dos anos passados, não haverá reajuste no valor das mensalidades em 2010 e será mantido também o sistema de custeio do plano.

É Incrível, mas não leram o Laudo

Contudo, parece que a Saúde dos empregados não é uma prioridade para a Caixa. Perguntados sobre alguma decisão com base no laudo técnico entregue na última reunião, no fim do ano passado, o técnico presente à negociação afirmou que não leu o laudo e o assunto ficou para ser tratado na próxima reunião.

Vale a pena lembrar. O laudo trata dos exautores instalados nas mesas dos avaliadores de penhor e afirma que eles “não servem nem como paliativo”.

Demora na manutenção
Os representantes dos empregados formalizaram protesto contra o descaso da Caixa em relação à manutenção do mobiliário de suas agências. A demora para consertar os aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, adoece os trabalhadores e tumultua mais ainda a já sobrecarregada rotina de trabalho nas unidades.

Próxima reunião Como ainda não havia posição oficial da empresa sobre algumas questões relevantes levantadas pela CEE/Caixa, o aprofundamento do debate sobre elas deverá ocorrer na próxima reunião. Entre elas estão a devolução aos trabalhadores dos valores descontados indevidamente referentes aos dias parados durante as greve de 2008. Também ficou para a próxima reunião o debate sobre promoção por mérito e melhorias nas condições de trabalho, também exigidas pelos membros da CEE/Caixa.

# Com informações da Contraf-CUT e do Seeb Brasília



 
 
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