Em
negociação com a Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa)
a Caixa Econômica Federal frustrou as expectativas
dos bancários e não avançou na discussão
a respeito da diminuição para seis horas
da jornada de trabalho para os ocupantes de cargos técnicos
e de assessoramento vinculados ao Plano de Cargos Comissionados
(PCC) de 1998. A reunião foi realizada nesta quarta-feira,
dia 24 de fevereiro, em Brasília (DF).
O
único ponto positivo apresentado pela empresa foi
o compromisso de adiar a implantação da
nova jornada, inicialmente prevista para o dia 1º
de março. Além disso, o banco concordou
em discutir alternativas em uma comissão de trabalho,
formada por representantes da CEE/Caixa e da empresa,
sendo seus integrantes os seguintes: Jair Pedro Ferreira
(Fenae e Fetec/CN), Antônio Luiz Fermino (Fetec/PR),
Augusto Vasconcelos (Feeb BA/SE), Francisco de Assis Kuhn
Magalhães (Feeb/RS), Sebastião Martins Andrade
(Caixa), Wesley Cardoso (Caixa), Emílio Ângelo
Carmigan (Caixa) e Luciano Peixoto (Caixa). Essa comissão
se reúne nos dias 2 e 3 de março, em Brasília,
e os pontos discutidos - os consensuados e não-consensuados
- serão remetidos para negociação
em mesa permanente.
Na
reunião com a empresa, a representação
nacional dos empregados reafirmou a reivindicação
de respeito à jornada de seis horas para todos
os trabalhadores, sem redução salarial.
A Contraf-CUT deixou claro, mais uma vez, que não
assinará acordo aditivo com diminuição
de salários, sob qualquer hipótese.
PLR
No
início da rodada de negociação, os
representantes dos empregados entregaram correspondência
à Caixa solicitando o imediato pagamento de parcela
complementar da Participação nos Lucros
e Resultados (PLR), dado que o lucro líquido da
Caixa em 2009 foi maior que a projeção apresentada
durante a campanha salarial do ano passado. A Contraf-CUT
- CEE/Caixa avalia que o crédito dessa complementação
serviria como forma de estímulo a todo o corpo
funcional, sem o qual esses relevantes resultados não
seriam obtidos.
A
Caixa concordou com a antecipação, mas não
definiu ainda data do pagamento, que será divulgada
em breve.
REG/Replan
A
reunião prosseguiu com a representação
dos empregados formalizando protesto contra a reabertura
do saldamento do REG/Replan, aprovada em reunião
do Conselho Deliberativo da Funcef, com voto de minerva
do presidente dessa instância, nomeado pela Caixa.
Na ocasião, seguindo definição do
Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais da Caixa, realizado
em dezembro de 2009, os conselheiros eleitos pelos trabalhadores
se manifestaram contrariamente à medida, pois fica
clara a intenção da empresa de pressionar
os empregados a abrirem mão do direito à
livre opção de permanecerem no REG/Replan
não-saldado, caso queiram aderir ao novo PCC. Nas
atuais circunstâncias, a reabertura do saldamento
é inoportuna. Tanto que quem continuar no antigo
PCC, para não ter que mudar de plano de benefícios,
ficará estagnado na carreira, sem qualquer possibilidade
de progressão.
Os
outros itens negociados na rodada desta quarta-feira,
dia 24 de fevereiro, foram os seguintes:
PCS:
promoção por merecimento
A
Contraf-CUT - CEE/Caixa cobrou do banco a definição
dos critérios de avaliação de desempenho
para a promoção por merecimento no âmbito
do Plano de Cargos e Salários (PCS), relativos
ao ano de 2009. O atraso nesse processo pode gerar inconvenientes
para os empregados. Nas reuniões da comissão
que trata do tema chegou-se a vários consensos,
incluisve quanto a substituição do atual
critério de distribuição que prevê
um determinado grupo de empregados, com as menores notas,
não recebam deltas, por um que estabeleça
uma linha de corte em que todo empregado que atinja uma
determinada nota receberá pelo menos um delta.
Porém a Caixa ficou de verificar qual seria o impacto
financeiro dessa proposta e dar um retorno, mas até
o momento isso não ocorreu.
A
Contraf-CUT lembrou ainda que a discussão sobre
os critérios para 2010 deve ser iniciada assim
que estiverem definidos os critérios para 2009,
de forma a permitir que os bancários tenham conhecimento
dos critérios antes da avaliação
e possam adaptar sua conduta. A Caixa concordou com a
demanda.
Condições
de trabalho
A
Contraf/CUT - CEE/Caixa cobrou a substituição
dos exaustores instalados nas bancas de penhor. Segundo
estudo contratado pelo sindicato dos bancários
do Ceará, os equipamentos são inadequados
para os objetivos propostos. A Caixa afirmou que está
realizando estudos para resolver a questão.
Eleição
para as Cipas
As
entidades representativas cobraram novamente a realização
de eleições para os representantes de Cipa.
A Caixa afirma que não tem condições
operacionais de implementar todas as Cipas ao mesmo tempo
e propõe que as eleições sejam feitas
em ondas. Para isso, a empresa ficou de apresentar à
Contraf/CUT - CEE/Caixa uma sugestão de cronograma
a ser analisado e aprovado pelos bancários.
Dias
parados em 2007
A
Contraf/CUT - CEE/Caixa voltou a cobrar a solução
para os problemas decorrentes da prorrogação
das greves de 2007 e 2008. Em relação à
greve de 2007, quando a prorrogação aconteceu
nas bases sindicais de Belo Horizonte (MG), Bahia e Sergipe,
já havia sido definida uma fórmula em mesa
de negociação para a solução
da questão, da qual os bancários cobraram
a implementação. Segundo a proposta, a Caixa
irá devolver o dinheiro dos quatro dias descontados
e abrir um prazo para compensação de um
único dia. Esgotado o prazo, os bancários
que não compensarem terão descontado apenas
um dia. A empresa se comprometeu a verificar a implantação,
mas não deu retorno. Quanto à greve de 2008,
a Caixa não tem ainda solução para
apresentar.
Reestruturação
Os
bancários cobraram da Caixa esclarecimentos sobre
as repercussões da implantação do
Novo Modelo de Filiais, processo de reestruturação
nas áreas meio. O modelo propõe um enxugamento
nas áreas-meio do banco, fazendo com que muitas
funções desapareçam e deixando muitos
bancários sem seus postos de trabalho. Os empregados
lembraram de problemas nas RET-PVs, que serão extintas
pelo Novo Modelo, deixando os gerentes sem função.
Outra
questão levantada é a relativa às
Gipes que, segundo comentários, serão reduzidas
das atuais 15 unidades para apenas cinco em todo país.
Na avaliação dos trabalhadores, a mudança
vai comprometer ainda mais o Saúde Caixa e os programas
de Saúde do Trabalhador, coordenados nas Gipes.
A reivindicação da Contraf-CUT - CEE/Caixa
é que exista uma unidade responsável por
saúde do trabalhor e Saúde Caixa em cada
estado.
Os
bancários cobraram que o banco apresente modelo
para discussão. Os representantes da empresa comprometeram-se
a encaminhar o pleito junto à área responsável.
Segurança
bancária
Empregados
registraram mais uma vez a necessidade de iniciar debate
sobre as condições de segurança nas
agências e correspondentes bancários. Os
membros da CEE/Caixa destacaram ainda a reportagem veiculada
no último domingo no programa Fantástico,
da Rede Globo, que focou na falta de segurança
das lotéricas e agências de Correio.
A Contraf-CUT informou ainda para a Caixa que a CUT está
encaminhando, por iniciativa da Contraf em conjunto com
a Confederação Nacional dos Trabalhadores
Vigilantes (CNTV), ao Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) proposta de criação de uma
Norma Regulamentadora (NR) sobre segurança no sistema
financeiro.
Plano
de Apoio à Aposentadoria (PAA)
A
Caixa informou que, até o momento, cerca de 1.250
empregados aderiram ao Plano de Apoio à Aposentadoria
(PAA). Segundo a empresa, 80% desse contingente encontram-se
aposentado pelo INSS, dado que é bastante reduzida
a adesão daqueles aptos a se aposentarem até
a data de 28 de fevereiro de 2011.
O
prazo para adesões encerra-se em 1º de março.
Para o desligamento da empresa, o período estabelecido
vai de 2 de março a 30 de abril.
Fonte:
Contraf-CUT, com Fenae
BB sobre o PCCS nesta quarta