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Bancos
geram 2.840 novos postos de trabalho no primeiro trimestre de
2010
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Os bancos que operam no Brasil criaram 2.840 novos postos de
trabalho no primeiro trimestre de 2010, quando admitiram 11.053
trabalhadores e desligaram 8.213. Do ponto de vista salarial,
no entanto, a remuneração média dos admitidos foi 37,85% inferior
em relação à dos desligados (R$ 2.197,79 contra R$ 3.536,38).
A disparidade maior é em relação às mulheres. As bancárias foram
admitidas recebendo remuneração 32,71% inferior à dos homens
(R$ 1.770,20 contra R$ 2.630,59).
Esses são alguns dos principais resultados da quinta edição
da Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) realizada pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). As duas entidades realizam esse levantamento desde
o ano passado, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O resultado relativo ao estoque de emprego entre janeiro e março
de 2010 contrasta com os dados de 2009, quando os bancos fecharam
1.354 postos de trabalho naquele primeiro trimestre. E representa
um crescimento de 95,2% em relação ao quarto trimestre do ano
passado, período em que as instituições financeiras geraram
1.455 novos empregos.
"A geração de novos postos de trabalho no setor financeiro é
uma ótima notícia para a categoria bancária, que na campanha
nacional do ano passado tinha a defesa do emprego como uma de
suas principais bandeiras", avalia Carlos Cordeiro, presidente
da Contraf-CUT. "Em 2009 assinamos acordo com o Banco do Brasil
e com a Caixa Federal assegurando a contratação de 15 mil novos
trabalhadores. As consultas que estamos fazendo com os bancários
indicam que o emprego será novamente uma das principais reivindicações
na campanha deste ano."
Na comparação com outros segmentos da economia, no entanto,
os dados do Caged mostram que o sistema financeiro foi um dos
que menos gerou empregos no primeiro trimestre do ano: apenas
0,43% dos 657.259 novos postos de trabalho criados por toda
a economia brasileira no período. O setor que criou mais vagas
de trabalho foi o da construção civil, que apresentou um saldo
positivo de 127.694 empregos (19,43% do total da economia),
seguido do comércio e administração de imóveis, que produziu
95.198 novos postos de trabalho (14,48% do total).
Desligados se concentram na alta remuneração
A Região Sudeste apresentou o melhor desempenho, com a criação
de 2.227 postos de trabalho, enquanto a Região Norte apresentou
o menor resultado positivo (111), como mostra a tabela abaixo.
| Admitidos, desligados, remuneração
média, saldo de emprego e
diferença da remuneração
média por Região do País
Brasil - Janeiro a Março
de 2010 |
| Região |
Admitidos |
Rem. Média
(em R$) |
Desligados |
Rem. Média
(em R$) |
Saldo |
Dif. % da Rem. Média Admitidos e Desligados |
| Norte |
320 |
1.371,52 |
209 |
2.615,89 |
111 |
-47,57% |
| Nordeste |
830 |
1.639,09 |
679 |
2.943,79 |
151 |
-44,32% |
| Sudeste |
8.023 |
2.379,78 |
5.796 |
3.680,09 |
2.227 |
-35,33% |
| Sul |
1.248 |
1.870,67 |
1.056 |
3.485,90 |
192 |
-46,34% |
| Centro-Oeste |
632 |
1.685,54 |
473 |
3.145,52 |
159 |
-46,41% |
| Total |
11.053 |
2.197,79 |
8.213 |
3.536,38 |
2.840 |
-37,85% |
| Fonte: MTE/Caged
Elaboração: DIEESE - Subseção CONTRAF-CUT |
A pesquisa Contraf-CUT/Dieese revela que o saldo positivo do
emprego nos bancos está concentrado nas faixas salariais mais
baixas, com predominância para o segmento entre 2,01 a 3,0 salários
mínimos, que registrou um saldo de 4.223 postos de trabalho.
A partir daí, todas as faixas apresentam saldo negativo de emprego,
com destaque para o segmento de 5,01 a 7,0 salários mínimos,
onde houve a diminuição de 1.293 postos de trabalho. Esse movimento
deve-se ao fato de a grande maioria das admissões (55,8%) estar
concentrada na faixa de 2 até 3 salários mínimos, enquanto os
desligamentos se distribuírem pelas faixas superiores de remuneração,
como mostra o gráfico abaixo. Com isso, a remuneração média
de quem é admitido (R$ 2.197,79) é 37,85% inferior à média salarial
dos desligados (R$ 3.536,38).
"Esses dados demonstram que os bancos estão usando a alta rotatividade
da mão-de-obra para reduzir custos, demitindo bancários com
salários mais altos para substituí-los por trabalhadores com
remuneração inferior", afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos
Cordeiro. "Isso é inadmissível se considerarmos que os bancos
continuam aumentando sem parar a sua lucratividade e que apenas
os cinco maiores bancos apresentaram lucro líquido de R$ 9,5
bilhões no primeiro trimestre do ano."
Maioria entre admitidos, mulheres ganham menos
Na desagregação por gênero, a pesquisa Contraf-CUT/Dieese mostram
que o saldo do emprego bancário no primeiro trimestre de 2010
é favorável às mulheres, com 1.767, enquanto para os homens
o saldo foi de 1.073. Percentualmente, os homens representaram
49,7% das admissões e 53,82% dos desligamentos, enquanto a participação
feminina correspondeu, respectivamente, a 50,3% das admissões
e 46,18% dos desligamentos. Confira na tabela abaixo
| Admitidos, desligados, remuneração média, saldo de emprego e
diferença da remuneração média por gênero
Brasil - Janeiro a Março de 2010 |
| Gênero |
Admitidos |
Part. % |
Rem. Média (em R$) |
Desligados |
Part. % |
Rem. Média (em R$) |
Saldo |
Dif. % da Rem. Média |
| Masculino |
5.493 |
49,70% |
2.630,59 |
4.420 |
53,82% |
4.112,04 |
1.073 |
-36,03% |
| Feminino |
5.560 |
50,30% |
1.770,20 |
3.793 |
46,18% |
2.865,56 |
1.767 |
-38,23% |
| Total |
11.053 |
100,00% |
2.197,79 |
8.213 |
100,00% |
3.536,38 |
2.840 |
-37,85% |
| Fonte: MTE/Caged
Elaboração: Dieese - Subseção Contraf-CUT |
No entanto, a remuneração média das mulheres bancárias é inferior
à dos homens, tanto nas admissões como nos desligamentos. As
trabalhadoras desligadas saíram do banco com rendimento médio
de R$ 2.865,56, valor 30,31% inferior ao auferido pelos homens,
R$ 4.112,04. Já a mão-de-obra feminina admitida entra no banco
recebendo uma remuneração média de R$ 1.770,20, enquanto os
admitidos do sexo masculino recebem o equivalente a R$ 2.630,59;
correspondendo a uma diferença de 32,71%, como revela a tabela
abaixo. Nas contratações realizadas no primeiro trimestre de
2010 houve, portanto, aumento da distância entre salários médios
masculinos e femininos.
| Rem. Média dos admitidos e desligados por gênero
Brasil - Janeiro a Março de 2010 |
| Rem. Média (em R$) |
Masculino |
Feminino |
Dif % da
Rem. Média |
| Admitidos |
2.630,59 |
1.770,20 |
-32,71% |
| Desligados |
4.112,04 |
2.865,56 |
-30,31% |
| Fonte: MTE/Caged
Elaboração: Dieese - Subseção Contraf-CUT |
"A remuneração inferior das mulheres comprova a discriminação
que existe na categoria, o que tem sido objeto de denúncia do
movimento sindical e reforça a necessidade de avançarmos na
igualdade de oportunidades, uma das principais reivindicações
das campanhas dos bancários nos últimos anos", conclui Carlos
Cordeiro.
Fonte: Contraf-CUT
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